Lição número um aos candidatos a prefeito e vereador pelo PT em 2004: quem atacar o governo vai perder a eleição. O apoio do partido e do presidente será fundamental para a vitória.
O ensinamento constará de cartilha e fará parte das regras de conduta eleitoral a serem transmitidas a todos eles numa grande conferência nacional, em abril do próximo ano.
O PT quer que seus candidatos adquiram traquejo na arte de ser vidraça. Deixem de lado a dinâmica do estilingue, conformem-se em ser coadjuvantes num processo em que geralmente o protagonista é a oposição, e compreendam que o importante não é contar votos mas contabilizar vitórias.
Fazer bonito, obter ganhos políticos, pelo raciocínio que preside a linha de ação e pensamento a ser adotada na eleição municipal, é coisa de oposição. O governo precisa, no dia seguinte ao término da apuração, apresentar o maior número possível de vitórias no mapa do Brasil, a fim de não ser tachado de derrotado.
Por isso mesmo, a política de alianças está sendo incentivada, inclusive com partidos não necessariamente alinhados ao Planalto.
A exceção é o PFL, com quem o PT não quer conversa, sendo a recíproca absolutamente verdadeira. Com o PSDB, as coligações serão permitidas, desde que aprovadas pela executiva nacional.
A direção, aliás, vai acompanhar de perto as campanhas nas cidades maiores, os alvos centrais da estratégia eleitoral petista.
Essa condução dará uma linha mestra de discurso a ser adotado pelos candidatos, que necessariamente terá de ser apoiado num tripé: prioridade aos projetos administrativos locais, defesa do governo Lula e reverência aos partidos aliados para não prejudicar a política de alianças.
Proibido mesmo é candidato do PT atacar o governo federal. Seja voluntária - por oportunismo eleitoral - ou involuntariamente, por cacoete de oposição. Na visão dos dirigentes do partido, o oposicionismo de ocasião inclusive será um mau negócio para os candidatos.
Como o governo será atacado por todos os outros concorrentes, o argumento é o de que o petista não conseguirá se diferenciar caso adote a mesma linha, e, portanto, perderá a eleição.
Claro que há uma preocupação no comando quanto ao sucesso da empreitada, porque, ninguém discorda, é estranho dizer a um petista que ele deve subir num palanque para fazer discurso a favor.
Mas por isso mesmo é que terão todos orientação prévia, com cartilhas, conferências e em alguns casos com direito até a Duda Mendonça para fazer um ensaio geral daquele que o PT considera o primeiro grande teste de popularidade e confiabilidade do governo Lula.
Chapa-branca
De um artificialismo atroz o manifesto em defesa da expulsão dos rebeldes do PT, divulgado em ato público sexta-feira em Brasília.
Os signatários eram todos cartas marcadíssimas, como sindicalistas ligados ao partido, presidentes de diretórios, diretores de associações, tudo gente vinculada ao aparelho partidário.
Promover manifestações encomendadas é prática comum não em legendas como o PT, de forte base social, mas em partidos de cúpulas, sem militância de rua nem vivacidadepartidária.
Uma demonstração de que a direção pode ter maioria, e tem, mas não consegue fazer uma mobilização verdadeira, com representação dos militantes.
Se conseguisse, teria feito um abaixo-assinado defendendo as expulsões para se contrapor aos vários documentos - alguns com milhares de assinaturas - pedindo a conciliação. O manifesto assinado por 34 deputados federais e 5 senadores do PT poderia ter tido como resposta um abaixo-assinado da maioria das bancadas da Câmara e do Senado. Teria sido uma vitória política da direção que, pelo jeito, não obteve apoio para tal.
Super faturas
A administração do ex-governador Neudo Campos em Roraima ainda fornece farto material às investigações. Em 2001, a Secretaria de Segurança Pública do Estado comprou, com dinheiro repassado pelo Ministério da Justiça, dois lotes de veículos pelos quais pagou o dobro do preço real.
Caminhonetes S-10, compradas por R$ 35 mil em Manaus pela loja Motoka Veículos e Motores Ltda., de Boa Vista, foram revendidas à secretaria por R$ 75 mil cada uma. Outro lote, de caminhonetes Blazer, foi comprado pela mesma empresa a R$ 50 mil a unidade e revendido a R$ 89,6 mil para o governo.
Com dinheiro do Ministério dos Transportes, o Estado pagou duas vezes, a duas firmas diferentes, por serviços feitos num mesmo trecho da BR-174.
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