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Edição de Domingo, 14 de Dezembro de 2003 
Economia | Economia parada adia espetáculo de crescimento
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ECONOMIA
Economia parada adia espetáculo de crescimento
Juros altos e rigor fiscal impediram desempenho melhor do PIB
Rosa Falcão
Da Equipe do DIARIO

O País fechará o ano de 2003 com crescimento zero. É o que apontam os economistas após as últimas projeções do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), cuja taxa deverá alcançar apenas 0,2% este ano. Insuficiente para gerar 10 milhões de empregos previstos no programa de Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A política econômica do arrocho fiscal para gerar superávit primário (economizar dinheiro e pagar a dívida), somada aos juros altos para conter a inflação, travou a economia brasileira. Freiou a produção e ampliou o desemprego. Além de ter deixado estados e municípios à mingua, sem recursos para investimentos em obras públicas. Resultado: o espetáculo de crescimento terá que ser adiado e vai depender da dosagem do aperto fiscal de 2004.

  As medidas adotadas pela área econômica no último trimestre do ano para reativar a economia - abertura de linhas de crédito pessoal e a redução da taxa de juros - foram insuficientes para azeitar a máquina para o final do ano. Tanto que as projeções do PIB (soma das riquezas produzidas no País) foram puxadas para baixo. Mesmo assim, a esperança do Governo Lula é de que o crescimento econômico do último trimestre do ano (outubro-dezembro) embalado pelo trenó do Papai Noel, recupere a trajetória melancólica da economia no primeiro semestre.

  A maioria dos economistas considera que o remédio usado foi amargo e levou o País à recessão. "Houve a estagnação da economia como um tudo", avalia o economista Herôdoto Moreira, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura.

APERTO EXAGERADO - De acordo com Moreira, o Governo Lula optou por um aperto fiscal exagerado, batendo recordes de superávit primário com o objetivo de segurar a inflação. O superávit fiscal previsto para este ano é de 4,25% do PIB. Significa que essa fatia das riquezas produzidas no País será destinada ao pagamento da dívida pública, que deverá fechar o ano na casa de R$ 890 bilhões.

  O economista Alexandre Rands, da consultoria Datamétrica, consideraque o arrocho fiscal e monetário foi forte demais e puxou para baixo o crescimento econômico que poderia ter acontecido ao longo do ano de 2003. "O PIB deverá fechar zerado porque tivemos o segundo e terceiro trimestres ruins", disse Rands. Segundo ele, o aquecimento da economia no quarto trimestre não será suficiente para reverter os resultados negativos do ano.

  Mesmo assim, o economista acha que o Governo conseguiu vencer dois desafios: controlar a ciranda inflacionária e manter a estabilização monetária. Ele destaca que houve uma "grata" surpresa com o bom desempenho das exportações, apontando o saldo positivo para a balança comercial do País. Para Alexandre Rands, esse bom desempenho das exportações permitirá a aceleração do crescimento da economia em 2004.

  O diretor da TGI Consultoria, Francisco Cunha, acha que o Governo "carregou" a mão na política fiscal austera para impedir a volta da inflação. As projeções da TGI são de que a inflação deverá fechar este ano em apenas um dígito, perto de 9,5%.   Longe da ameaça dos dois dígitos de 20%, registrada em 2002. Cunha aponta os juros altos praticados no País e o PIB zero este ano, como os dois efeitos colaterais da atual política econômica. Pelas projeções da TGI, o crescimento da economia será de 4,25% em 2004.
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