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Edição de Domingo, 14 de Dezembro de 2003 
Economia | BB poderá custeiar lavouras
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ECONOMIA
BB poderá custeiar lavouras
CANA-DE-AÇÚCAR
O Banco do Brasil poderá implantar, ainda no primeiro semestre do próximo ano, um sistema de custeio exclusivo para a lavoura da cana-de-açúcar. A nova linha de financiamento está prevista em protocolo de intenções firmado, esta semana, entre o BB, o Ministério da Agricultura e representantes da indústria sucroalcooleira e dos fornecedores de matéria-prima. O documento foi assinado durante a última reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool e prevê o estabelecimento de convênios de integração rural entre a instituição financeira e os produtores.

  Embora o protocolo de intenções não estabeleça o volume de recursos a serem destinados ao custeio da safra da cana, ele representa, segundo os produtores, um avanço nas relações entre o banco e o setor. Em face da dívida das usinas, o Banco do Brasil havia fechado todas as linhas de financiamento que envolviam a cadeia da cana-de-açúcar, principalmente no Nordeste. Com a retomada dos sistemas de crédito, a região poderá competir em melhores condições de igualdade com o Centro-Sul.

  De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha, a assinatura do documento é um sinal claro de que o Banco do Brasil estuda a retomada do crédito para o setor, após anos de ausência. Para ele, se o protocolo de intenções vier efetivamente a se transformar em ações práticas, os recursos poderiam permitir um maior equilíbrio da atividade no Estado, ajudando a melhorar a produtividade no campo e na indústria.

  Apesar de comemorar o acordo, Renato Cunha não acredita que a retomada dos financiamentos se dê de forma imediata. Ele explica que ainda existem muitos pontos obscuros quanto às negociação, principalmente no que diz respeito ao histórico de dívidas entre o setor e o banco. Ele salientou que apesar da boa notícia, outros pontos vitais, a exemplo da equalização dos preços, permanecem pendentes, dificultando o bom desempenho da atividade na região.

  Ainda segundo o presidente do Sindaçúcar, o protocolode intenções é uma avanço nas relações da agroindústria sucroalcooleira com o banco e que as esperanças do setor se voltam agora para a efetivação de uma linha de crédito diferenciada que venha a atender as reais necessidades dos usineiros e cultivadores de cana. "Vamos esperar para ver quais serão os termos das negociações e se o sistema vai realmente atender às expectativas do setor".

 
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