|
|
|
Brasileiro reduz compras e está comendo menos
|
Consumo de gêneros alimentícios teve queda de 1,1%, segundo Abras |
Cleiton Fernandes DA EQUIPE DO DIARIO
|
 |
Os brasileiros estão comendo menos, substituindo as marcas líderes por outras menos conhecidas e até mesmo cortando da lista de compras alguns gêneros alimentícios. Inclusive, muitos itens que compõem a própria cesta básica, a exemplo do óleo de soja, que teve uma redução de 7,9% no volume vendido nos seis primeiros meses do ano. As informações são do levantamento inédito feito pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que mostra uma queda geral (alimentos e demais produtos) de 1,1% na evolução do volume vendido no setor no primeiro semestre do ano, frente ao mesmo período de 2002.
Com isso, alimentos como o açúcar, que apresentou uma retração de 5,1% no volume comercializado, arroz (queda de 4,0%) e farinha de trigo (-4,0%) estão sumindo dos carrinhos dos consumidores. "Como pode ser observado, a pesquisa apresenta resultados nada animadores, considerando que estamos tratando, em grande parte, de produtos básicos, ou seja, gêneros de largo consumo", analisaFátima Merlin, gerente de economia e pesquisa da Abras.
A preocupação não é à toa. Antes, a "tesoura" recaía nos alimentos supérfluos, como laticínios, depois partindo para os importados, devido à alta do dólar. Mas agora, o alvo são os alimentos considerados indispensáveis para a sustentação de uma família. Um dos fatos agravantes, na avaliação dos especialistas de varejo, é que mais do que migrar para produtos com preços mais acessíveis e aproveitar as ofertas e promoções, o consumidor tem deixado de comprar.
Os dados da Abras comprovam. Das 25 categorias de produtos pesquisados, dezessete apresentaram redução do volume vendido, duas mantiveram praticamente o mesmo volume e apenas seis contabilizaram aumento.
O cenário macroeconômico é o maior vilão. Segundo a gerente de economia da Abras, as retrações têm sido mantidas nos últimos meses, devido à perda da renda do consumidor e do crescimento do nível de emprego. As políticas monetárias do Governo federal também estão se mostrando ineficazes, com a práticas de juros ainda exorbitantes e a permanência da burocracia de acesso ao crédito. "Uma prova é o último índice nacional de vendas da Abras. No acumulado de janeiro a outubro, as vendas fecharam em uma baixa de 3,52%, ante os dez primeiros meses de 2002", diz a economista.
TARIFAS - Apesar da queda no consumo de alimentos, uma das maiores reclamações é com relação ao comprometimento da renda com tarifas públicas. Fátima Merlin conta que ao avaliar o comportamento dessas tarifas no período de junho de 1998 a junho de 2003, o gás de cozinha teve um aumento de 260%, a energia elétrica de 119%, o combustível de 129% e o transporte público, 92%. No mesmo período, a renda do trabalhador contabilizou uma perda de 30%.
|
 |
| Comentários leitores |
 |
| "A reportagem faz menção a duas constatações: a
primeira, na ordem causal, é a de que as atuais, e desfavoráveis,
condições macroeconômicas têm influído no índice de vendas dos supermercados.
Quanto a isto, nada a discutir. Porém, não se pode afirmar aprioristicamente
que este levantamento feito pela ABRAS, leve à conclusão de que o
brasileiro está comendo menos. De forma alguma. Em primeiro plano,
porque tal estudo foi realizado pela ABRAS (Associação Brasileira
de "Supermercados"), e, obviamente, não poderia constatar o ululante:
a migração do mercado consumidor para outros estabelecimentos, quais
sejam, os mercados, mercadinhos e feiras. Vários parentes meus e conhecidos
já se utilizam de tal expediente. Afirmar que o brasileiro está comendo
menos é, no mínimo, uma grave desconfiaça da inteligência e do poder
criativo do nosso povo... ", Bruno Arcoverde, por e-mail. |
 |
|
|