O Nordeste - que nunca teve uma participação das mais significativas na malha de vôos regulares internacionais do País - viu os aviões dessas rotas quase que desaparecerem dos aeroportos nos últimos anos. Em menos de uma década, a oferta foi reduzida pela metade. Hoje, as linhas para o Exterior correspondem a apenas 4% do total de freqüências, segundo levantamento do consultor Virgínio Loureiro, da Marketing Bahia Service (MBS). A crise enfrentada pelas companhias aéreas é apontada como o principal fator para a redução da oferta.
Ex-diretor da Bahiatursa (Secretaria de Cultura e Turismo da Bahia), Loureiro lembra que a Região começou a perder mercado com a decisão da Transbrasil (antes da falência, é claro) e da Vasp de suspenderem suas rotas internacionais.
Por último foi a Varig, que desde o ano passado decidiu centralizar os vôos no eixo Rio-São Paulo. Só manteve mesmo um vôo pagador de promessas entre Buenos Aires e Fortaleza e outro nos finais de semana entreSalvador e a capital argentina.
Salvador também conta com três vôos semanais para Madri, que ficam a cargo da companhia espanhola Air Europa. No mais, o nordestino que deseja viajar para o Exterior só tem à disposição os vôos da TAP Air Portugal.
As aeronaves partem diariamente do Recife, de Fortaleza e de Salvador com destino a Lisboa. De lá, são feitas as conexões para outros países europeus. Quem quiser ir aos Estados Unidos, Japão, Austrália, Egito ou outro destino tem que bater ponto antes na Região Sudeste.
Na opinião de Virgínio Loureiro, essa não é uma situação que deve mudar, ao menos no curto prazo. "O vôo regular pressupõe a regularidade e a reciprocidade. É a contrapartida. Ele tem que trazer e tem que levar. Para as empresas, não temos hoje uma capacidade exportativa que seja capaz de sustentar os vôos", diz. Ele lembra que as companhias, incluindo as nacionais, buscam tarifas que geram rentabilidade maior em rotas onde o passageiro principal não é o turista, mas sim o executivo.
CONCENTRAÇÃO - Não é por acaso, portanto, que o aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, concentra 80% dos vôos internacionais. O gerente geral da Varig em Pernambuco, Aládio Corrêa Júnior, confirma a opção da empresa de redirecionar as rotas para o Sudeste. Os problemas financeiros enfrentados pela companhia tiveram um peso considerável na decisão. Segundo o gerente, a Varig devolveu 22 aeronaves só este ano. Com isso, a empresa começou a operar com uma malha "otimizada", voltada para as rotas mais rentáveis.
"Na aviação, cada assento que voa vazio é perda de receita", comenta Aládio Corrêa. O gerente lembra que não foi apenas o Nordeste que saiu no prejuízo. Manaus - que está a apenas quatro horas de Miami - não dispõe mais de vôo direto para os Estados Unidos. Hoje, a Varig opera rotas para América do Norte (EUA e México), Europa (Portugal, Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, França), Ásia (Japão), América do Sul (Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, Venezuela, Peru e Bolívia).
Corrêa não descarta que, no futuro, ocorra uma nova mudança nas rotas. "Vai depender de uma avaliação de mercado. Não fechamos as portas. Mas, no momento, não há como fazer isso. É preciso ter maior firmeza na demanda", afirma. Se serve de alento, a companhia trouxe três MD-11 agora no final do ano para fazer a rota Brasil/Japão. Dois Boeing 777 chegam até o final de janeiro para operar a rota de Nova York (EUA).
|