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Ave rara aparece em Goiás
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Pato-mergulhão é considerado pelos biólogos uma espécie em extinção |
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CAMPINAS - Ao sobrevoar de helicóptero a Chapada dos Veadeiros, em Goiás, para conferir os limites do parque nacional, com vistas à sua ampliação, pesquisadores do Ibama avistaram uma espécie rara de ave. Três exemplares do pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) estavam no Rio das Pedras e dois deles foram novamente avistados no dia seguinte, quando os pesquisadores voltaram por via terrestre. O único registro anterior, naquela região, era de 1950, quando um indivíduo foi coletado pelo ornitólogo Rudolf Pfrimer e sua pele foi enviada ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
"Vimos os patos num local considerado propício e baixamos o helicóptero para observar melhor, depois marcamos a posição no GPS para voltar por terra e conseguimos fotografar, confirmando o registro da espécie", comemora o biólogo Carlos Bianchi, da Diretoria de Ecossistemas do Ibama. Naturalmente raro, o pato-mergulhão habita apenas rios de águas muito limpas, encachoeiradas, com margens íngremes e precisa de ocos de árvore com características peculiares para se reproduzir, tendo de 4 a 6 filhotes por ninhada.
A dificuldade de encontrar o habitat ideal é uma das causas de sua classificação como espécie criticamente ameaçada de extinção, nas duas listas vermelhas de 2003, a brasileira (publicada pelo Ibama) e a internacional, coordenada pela União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN). A população total da espécie na América do Sul é estimada em apenas 250 aves. Além da Chapada dos Veadeiros, há registros da espécie no Parque Nacional da Serra da Canastra (MG), na região do Jalapão (TO) e na província de Missiones, na Argentina.
Para Bianchi, a existência da ave justifica a transformação da área em unidade de conservação. O Rio das Pedras já é considerado uma das prioridades para a proteção do Cerrado, apesar de alguns trechos estarem sob risco de degradação. Entre as principais ameaças à sua sobrevivência estão o corte de vegetação das margens dos rios, a construção de hidrelétricas, a poluição das águas e a expansão da agricultura.
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