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Edição de Domingo, 14 de Dezembro de 2003 
Brasil | A pressão dos militares
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BRASIL
A pressão dos militares
Oficiais não admitem a promoção do comunista Apolônio de Carvalho
BRASÍLIA - Os militares esperam que nesta segunda-feira, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicará grande parte do seu dia a cerimônias com os oficiais-generais do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, o Palácio do Planalto tenha dado alguma sinalização de que não vai acatar a sugestão do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de promover um dos fundadores do PT, o ex-segundo-tenente Apolônio de Carvalho, ao posto de general-de-brigada. Apolônio de Carvalho tem 92 anos. Ele foi expulso do Exército pela ditadura de Getúlio Vargas, preso e torturado na ditadura militar e foi expulso do País por ter participado do seqüestro do embaixador alemão. Retornou com a anistia, em 1979.

  Quando desembarcou em Brasília, vindo dos países árabes, Lula sabia que teria de enfrentar essa discussão, que desagradou profundamente os militares. Embora esta seja uma decisão pessoal do presidente, no Planalto o sentimento é de que Lula não vai confrontar as Forças Armadas e, mais em particular, o Exército.

O tema é considerado "extremamente delicado" por auxiliares do presidente, que acreditam que Lula, que é uma pessoa acostumada a construir consensos, não iria abrir uma nova frente de batalha, em um Governo que já tem problemas demais a enfrentar. Nas cerimônias realizadas nos últimos dias em quartéis de todo o País, grande parte das conversas giram em torno desse tema e da certeza de que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça já concedeu a reparação econômica a Apolônio ao lhe dar os vencimentos referentes ao posto de general-de-brigada, mas que a promoção seria um "aviltamento", "um ultraje" à carreira militar.

  A expectativa é de que, na segunda-feira, quando participará pela primeira vez do tradicional almoço de fim de ano com o Alto Comando das Forças Armadas e os cerca de 140 oficiais-generais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica que servem em Brasília, no Clube do Exército, o presidente Lula faça alguma referência ao tema em seu tão aguardado discurso.

 
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