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Política ensinada desde a infância
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Sem-terrinha e sem-tetinho já sabem reivindicar |
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RIO - Eles aprendem a ler, a escrever, a fazer contas e a reivindicar terras para a reforma agrária, casas populares e políticas de saúde e educação. No dia-a-dia, as crianças, com idades entre 3 e 12 anos, ajudam os pais a brigar por um pedacinho de chão. Os sem-terrinha são o braço infanto-juvenil do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Nos cálculos da entidade, são 160 mil crianças, que já inspiraram a formação dos sem-tetinho, oriundos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST).
Além dos estudos regulares, os sem-terrinha participam das cirandas, nas quais têm aulas de cidadania e higiene, aprendem seus direitos e deveres, desenham e cantam. E gostam muito de brincar. Afirmam que também gostam muito de política - o fictício Partido da Democracia é muito popular no Pontal do Paranapanema, com sua plataforma de distribuição de terras e de renda. Outra brincadeira comum é a de mocinho e bandido, isto é, de sem-terrinha e latifundiário. "Tenho muito orgulho de ser sem-terrinha. É bom defender os pobres", diz João Paulo de Souza Rainha, de 10 anos, filho de José Rainha e Diolinda Alves de Souza, líderes do MST nacional e que atuam no Pontal do Paranapanema.
GLÓRIA - Os sem-terrinha tiveram dois momentos de glória em 2003: entregaram um boné ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ganharam beijinhos da atriz Letícia Sabatella, em seu encontro estadual, realizado em outubro. Mas faltou verba para o congresso nacional da garotada, que, desde o fim dos anos 90, era realizado sempre perto do Dia das Crianças. Hoje, os grupos mais organizados, além de São Paulo, estão em Pernambuco e no Rio Grande do Sul.
No Sul, o currículo das escolas que funcionam nos acampamentos e nos assentamentos foi reconhecido pela Secretaria Estadual de Educação. Após as aulas, os sem-terrinha freqüentam as cirandas. O objetivo é ocupar o tempo da criançada com atividades esportivas e culturais. Mas, no fundo, no fundo, o que eles mais gostam é de brincar e fazer bagunça. "Queria casa e comida para todo mundo. Paramim, bastava um brinquedo", diz Francielle, de 9 anos, sem-terrinha do Acampamento Mário Lago.
SONHOS - Os sem-tetinho, por sua vez, ainda estão engatinhando em matéria de organização. Nas ocupações, já existem cirandas, que também recebem crianças que não conseguiram vagas nas escolas convencionais públicas, mas ainda faltam recursos para criar o logotipo do movimento e imprimi-lo nos sonhados bonés e camisetas. Se depender da torcida dos quase 1.600 sem-tetinho do Acampamento Anita Garibaldi, em Guarulhos, o uniforme de militante não demora. "A gente quer vestir a camisa, né? Igual aos sem-terrinha", sonha Manoel, de 12 anos, sem-tetinho de Guarulhos.
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