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Lula deixa Oriente sem grandes negócios
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Presidente da Líbia recebe brasileiros em uma tenda do exército e mostra prédio destruído pelos EUA |
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TRÍPOLI (Líbia) - Grandes promessas e pequenos negócios é o saldo comercial da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a cinco países árabes, que terminou ontem. Nem poderia ser diferente, afirma o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores, Mário Vilalva. "A vinda do presidente visava incentivar os futuros negócios. Nesta viagem não era possível fechar grandes operações, mas sim abrir portas para futuros negócios", diz Vilalva. É difícil saber qual será o resultado da viagem ao olhar a lista do que foi anunciado e quais são as possibilidades".
No caso da Síria, por exemplo, só foi anunciada a construção de uma usina de açúcar. Mas a empresa brasileira ainda não tinha nem o nome do consórcio que vai comandar a operação. O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, acompanhou Lula em todos os cinco países visitados. Mas não teve nada para fazer em vários deles.
Lula e o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, se encontraram, ontem, dentro de uma tenda militar,armada dentro do complexo do Palácio Bab-Aziziya. Juntos por mais de uma hora, eles discutiram geopolítica mundial sob forte esquema de segurança no local - dezenas de homens com metralhadoras. O uso da tenda indica um pouco de marketing do líbio, pois a poucos metros dessa instalação havia construções de alvenaria, com escritórios que poderiam ter sido utilizados de maneira mais adequada.
A tenda de Gaddafi tem cerca de 100 metros quadrados, ar condicionado e oito poltronas brancas. Pelo Brasil estavam Lula, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), Marco Aurélio Garcia (assessor especial) e o governador Marconi Perillo (Goiás). Pela Líbia, só Gaddafi. O coronel líbio havia providenciado um mapa grande, de aproximadamente um metro e meio de altura por três metros de comprimento.
Marconi Perillo logo pediu desculpas e saiu. "O cerimonial havia me convidado, mas achei melhor ir embora, pois o assunto não era da minha área", disse. Antes de sair do local, Perillo disse ter notado o que julgou serem tubulações de ar saindo do terreno contíguo à tenda, todo gramado. "Só podem ser tubulações de ar. Acho que embaixo daquela tenda ele deve ter um abrigo antiaéreo, pois eu duvido que ele durma ali", declarou o governador.
Ao final, Lula e Gaddafi ficaram conversando a sós, com a ajuda de um intérprete, por cerca de 15 minutos. O ponto alto da chegada, entretanto, foi quando Gaddafi fez um passeio com a delegação brasileira pelo prédio destruído pelos norte-americanos num ataque aéreo em abril de 1986. Nessa ocasião, morreu a filha de um ano e meio de Gaddafi, Hana.
"Ele nos mostrou a cama da menina, ainda manchada de sangue. Está protegida por uma redoma de vidro. Acho isso um culto ao ódio. Sem contar a foto da criança com o peito aberto e um estilhaço sendo retirado com pinça. Achei mórbido", disse o deputado federal Vicente Cascione (PTB-SP), vice-líder do governo na Câmara e integrante da delegação.
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