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Frans Post em outras obras
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A produção de Frans Post, durante sete anos no Brasil (1637-1644), particularmente em Pernambuco onde permaneceu a maior parte do tempo, prendia-se ao objetivo do Conde de Nassau em documentar a sua administração à frente do Governo do Brasil Holandês. Ele acompanhava todos os passos do governador, fazendo-se presente desde a tomada de Porto Calvo e andanças através da Ilha de Itamaracá (1637), seguindo-se da fundação do Forte Maurício, em Penedo (1638), da conquista do Rio Grande do Norte (1639), até o retorno ao Recife (1640). Cogita-se a sua presença nas expedições militares que saíram do Recife que foram conquistar povoações na costa da África Ocidental (Luanda, São Tomé e Gana), em 1637, lembrando Sousa Leão que Frans Post poderia, também, ter visitado essas praças quando do seu retorno à Holanda, onde já se encontrava em maio de 1644.14
Os seus desenhos, representando o palácio de Firbvrgvm e a paisagem do Recife e Maurisstadt, tornam a ser reproduzidos no mapa de Cornelis Bastianszoon Golijath (1610-1662), que esteve no Brasil a serviço do Conde de Nassau em 1637, publicado avulso em Amsterdam, impresso por Claes Jaens Visscher, em 1648: Olinda de Pharnambuco, Maurits-Stadt ende tá Reciffo. Este mesmo mapa aparece decorando o interior de certa casa holandesa, em tela assinada por Cornelis Man (1621-1706). O mapa foi elaborado inicialmente em 1644 para o livro de Gaspar Barlaeus (n.º 40) e, pela sua invejável riqueza de detalhes, serve, ainda em nossos dias, de consulta obrigatória aos estudiosos do período.
Foram os desenhos de Frans Post, durante mais de um século, a única fonte iconográfica conhecida da paisagem brasileira, notadamente a de Pernambuco, à qual recorreram todos os editores até fins do século XVIII. Deles fez uso o editor de frei João José de Santa Tereza, no seu livro Istoria delle guerre del Regno del Brasile, accadute tra la corona di Portogallo, e la Republica di Olanda etc., publicado em Roma em 1698, dois volumes (31 x 21 cm.), impressa na oficina dos herdeiros de Corbelleti. Das 25gravuras da obra, nove foram copiadas do Barlaeus (1647), sendo quatro originárias dos desenhos de Frans Post, e o restante reproduzidos do Atlas do Brasil Holandês, elaborado pelo cartógrafo Johannes Vingboons, por encomenda do Conde de Nassau, do qual existem duas cópias, uma na Biblioteca Vaticana e outra no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano.
Quinze desenhos de Frans Post, anteriormente publicados na edição original do livro de Gaspar Barlaeus (1647), tornaram a aparecer na obra Arnoldus Montanus, na sua notável obra, America, impressa em Amsterdam, em 1671, por Jacob van Meurs, com 585 p., 31 pranchas, 16 mapas desdobráveis, sete retratos, 70 ilustrações. As gravuras foram reproduzidas na parte referente ao Brasil (p. 358-535), algumas delas com alterações, além de um mapa do Brasil em folha dupla. As ilustrações reaparecem nas reedições daquela obra, tanto nas edições em alemão, de Dapper, como na inglesa, de Ogilby.
Pieter van der Aa, em sua Galerie agréable du Monde, publicada em 1729, utiliza-se largamente das gravuras, originárias de desenhos de Frans Post, divulgadas por Arnoldus Montanus (1671) em sua obra. As pranchas de Vrijburg e da Boa Vista aparecerem como vinhetas no mapa de Justus Dankerts, Novissima America tabula (c 1680), o mesmo acontecendo com o livro de Ambrosius Richshoffer, Brazilianisch und Wet Indianische Reise Beschreibung, impresso em Estrasburgo em 1677, que, também, traz alguns desenhos de Frans Post.15
Para Sousa Leão, "o desenhista, porém, não vale o pintor, Falta-lhe concisão nos traços, sai-lhe confusa e sem destaque a vegetação, falhas que supre, no óleo, com a mestria de sua pincelada, com o domínio da cor e da luz que distinguem sua pintura, de modo que os quadros são mais bem delineados do que os próprios desenhos. Destes, o maior merecimento consiste na correção topográfica que lhes dá valor documental. Ao contrário do que se verifica com a maior parte dos artistas, cujo temperamento se expressa com mais espontaneidade no esboço rápido, é na obra pintada que Post nos dá a medida do seu talento. Maiores são suas possibilidades manejando o pincel do que o lápis".16
A propósito dessa fase, conclui Erick Larsen, já ter se chamado Frans Post de "o Canaletto do Brasil e também se escreveu que ele foi o primeiro paisagista ao ar livre deste país. É verdade, levando-se em consideração a qualidade artística de sua produção e excluindo-se a comparação com os cartógrafos ou outros artistas de menor competência".17
1 LARSEN, Erik. op. cit. Amsterdam, 1962. p. 50, doc. 18.
2 LARSEN, Erik op. cit. p. 124-125.
3 MORAES, Rubens Borba de. Bibliographia brasiliana etc. 2ed. Revised and enlarged edition UCLA Latins American Center Publications. University of California, Los Angeles. Rio de Janeiro: Livraria Kosmos Editora, 1983. Prefácio de Ludwig Lauerhass, Jr. 2 v. il.
4 O BRASIL que Nassau conheceu. Organização de Leonardo Dantas Silva. Apresentação de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife: SEC, Departamento de Cultura, 1979. (Coleção Pernambucana; 1fase, v. 20). Reprodução fac-similar in folio das ilustrações da 1. ed. da obra de Gaspar Barlaeus, impressa em Amsterdã (1647), 58 gravuras, 27 assinadas por F. Post (1612-1880) e 15 datadas de 1645.
5 BARLAEUS, Gaspar. História dos feitos, recentemente praticados no Brasil. Trad. Cláudio Brandão; Apresentação de Leonardo Dantas Silva; Prefácio de José Antônio Gonsalves de Mello. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1980. XIII, 410 p. il. 60 gravuras, reproduzidas em fac-símile da ed. de Amsterdãde 1647, 27 assinadas por Frans Post (1645). (Coleção Recife; v. 4).
6 SOUSA-LEÃO, Joaquim. São Paulo, 1948. p. 58.
7 WHITEHEAD, P. J. P. e BOESEMAN, M. Um retrato do Brasil Holandês do século XVII. Trad. de Edmond Jorge. Apresentação de José E. Mindlin. Prefácio de Hans Hoetink. Rio de Janeiro: Ed. Kosmos, 1989. p. 184.
8 WHITEHEAD, P. J. P. op. cit. p. 185.
9 LEITE, José Roberto Teixeira. "Os pintores de Nassau", in História Geral da Arte no Brasil. Walter Zanini (Organizador). São Paulo: Instituto Walther Moreira Salles, 1983. v. 1, p. 358.
10 LAGO, Beatriz e Pedro Correia do. "Os quadros de Post pintados no Brasil" in O Brasil e os Holandeses, 1630-1654. Paulo Herkenhoff (organizador). Rio de Janeiro: Sextante Artes, 1999. p. 244-266.
11 WHITEHEAD, P. J. P. e BOESEMAN, M. Op. cit. Rio de Janeiro: Ed. Kosmos, 1989. p. 186.
12 MORAES, Rubens Borba de. Op. cit.
13 MORAES, Rubens Borba de. Op. cit.
14 SOUSA-LEÃO, Joaquim. Amsterdam, 1973. p. 17.
15 RICHSHOFFER, Ambrósio. Diário de um soldado da Companhia das Índias Ocidentais 1629-1632. Tradução de Alfredo de Carvalho Apresentação de Leonardo Dantas Silva. Prefácio de Ricardo José Costa Pinto. Recife: SEC, Departamento de Cultura, 1981. 210 p. il. (Coleção pernambucana; 1fase, v. 11 a). Fac-símile da. ed. Recife: Typographia a vapor de Laemmert & Comp., 1897.
16 SOUSA-LEÃO, Joaquim. São Paulo, 1948. op. cit. p. 65.
17 LARSEN, Erick. Frans Post, um intérprete do Brasil. Amsterdam & Rio de Janeiro: Colibris Ed., 1962, citado por Roberto Pontual, in Dicionário das artes plásticas no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. Referência ao pintor veneziano Giovanni Antonio Canal (1697-1768), conhecido por "Canaletto", responsável pela documentação das melhores vistas de Veneza no seu tempo. p. 436
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