Últimas Diversão Comunidade Tecnologia Esportes Turismo Quem Somos
Diario de Pernambuco TVGuararapes Radio Caetés Rádio Clube
Edição de Segunda-Feira, 1 de Dezembro de 2003 
Viver Mulher | Arquitetos embarcam na cultura do design
   DIARIO
   Índice Geral
   Expediente
   Ed. Anteriores
   Assinaturas
   História
   CADERNOS
   Política
   Brasil
   Mundo
   Economia
   Esportes
   Vida Urbana
   Viver
   SUPLEMENTOS
   Revista da TV
   Empregos
   Viver Mulher
   Viagem
   Informática
   Carro
   Imóveis
   Saúde

    SERVIÇOS

   Loterias

Viver Mulher
Arquitetos embarcam na cultura do design
Profissionais estão partindo para criação de seu próprio mobiliário, conquistam mercado com peças práticas e bonitas, e mostram afinidades com a marcenaria
Phelipe Rodrigues
Da equipe do DIARIO
Além de projetar e decorar ambientes, os arquitetos brasileiros - e os pernambucanos, em especial - têm um trunfo na manga: são ótimos designers de mobiliário. Essa característica permite que eles desenvolvam ou adaptem aquele sofá cada vez mais difícil de caber em salas que chegam a medir seis metros quadrados. Além dos clientes, a indústria local também lucra ao usar essa mão-de-obra, conseguindo um preço final mais acessível em produtos que acertam no alvo das necessidades do mercado.

  Segundo o arquiteto Lourival Costa, que estuda a contradição entre o aumento de dimensões das pessoas nas últimas décadas e a diminuição nos espaços construídos, há pontos positivos e muita complicação em ter arquitetos ocupando o lugar dos designers. "O primeiro erro é as empresas não investirem em pesquisas para melhorar a ergonomia, com soluções para mesas, camas e, sobretudo, cadeiras", adianta o autor da tese de mestrado Apartamento: Uma Análise Ergonômica das Dimensões em Apartamentos.

  O que se faz, com freqüência,é aproveitar idéias do profissional de arquitetura, por saber que ele conhece as necessidades do cliente e as tendências da temporada. "Embora poucas fábricas aceitem pagar o que um projetista cobra, entre R$ 5 e R$ 8 mil por peça, fora os 5% de royalties na venda de cada uma", critica Lourival. Apesar da relação conflituosa com as linhas de produção, três mesas dele estão expostas na Itálica, no Shopping da Decoração. Uma delas, inclusive, fazendo figuração na novela Celebridades, da Rede Globo.

  Outro nome conhecido em todo o País por seus ambientes e móveis de toque modernista/regional é o da arquiteta Janete Costa. No caso dela, além do acervo à venda na loja Amparo 60 e outros endereços elegantes pelo país, há a preocupação de criar uma cultura do design entre os artesãos do pólo de móveis do Agreste. "Ela cedeu seus desenhos para que os marceneiros de Gravatá pudessem reproduzi-los, aumentando a variedade e a qualidade da produção", conta Roberta Borsoi, sua parceira na ambientação do Hall com Escada Principal, na Casa Cor 2003, onde estão a mesa e as luminárias inventadas por elas.

  No mesmo evento pode ser vista a cama do Quarto de Casal, da dupla Cláudio Campelo e Fábio Andrade. "É o segundo ano que desenvolvemos móveis. Ano passado, tudo foi confeccionado pela DMD, que negociou nosso pagamento como uma permuta. Agora, a Itálica fabricou a cama", diz Cláudio. Eles ainda estão em negociação com a Novo Projeto, que vai comercializar a mesa Andrade Campelo (AC). "Ela entrou na Mostra Anual da NP, mês passado, e deve fazer parte do nosso catálogo permanente de vendas", anuncia a proprietária Marilu Machado. Na mesma vitrine constam as mesas de Guilherme Eustáchio e Júlio Olliveira.

DIVISÓRIA - Já a mesinha multifunção, a Malu, idealizada por Maria de Lourdes Lucena é um dos artigos mais procurados na Living, desde que começou a ser fabricada, no ano passado. Isso estimulou uma variação sobre o mesmo tema, com a mesa/bancada que está no Quarto das Jovens, cheia de possibilidades. "Serve para dividir um cômodo, quase como um biombo. E pode receber a TV, aparelho de som, DVD, as fitas e o frigobar. Tudo no mesmo lugar, sem perder espaço", informa Maria de Lourdes. É a mesma proposta do banco Zig-Zag, de Osvaldo Andrade. "É uma verdadeira análise combinatória, porque vira chaise-longue, apoio e base de mesa, dependendo da forma que o dono fizer dar à essa peça", orienta o ganhador do prêmio Recife Design Center.

  Essa perspicácia para resolver áreas de poucos metros com a invenção de um mobiliário exclusivo tem chamado cada vez mais a atenção dos fabricantes. "Vejo que os arquitetos aqui têm essa qualidade de entender bem o móvel. Algo que não se vê em outros lugares, onde tudo, hoje, é comprado em série", critica o paulista radicado no Recife, Paulo César Miranda, da Living. Mesmo fora do País, em centros tradicionais de design, quem projeta ou ambienta não conhece tão bem o processo de marcenaria como aqui.

  "Tive um italiano entre os funcionários do meu escritório e pude perceber quanta diferença", completa o arquiteto Carlos Augusto Lira. Ele chega a formular uma explicação para tanta intimidade com o universo de marcenarias, fundições e forjas. "Primeiro, a necessidade de encontrar em lojas locais tudo o que estamos procurando. E, claro, o baixo custo dos marceneiros e ferralheiros, que permitem o acesso fácil e o intercâmbio de conhecimento", finaliza Lira.

 
        Escolha aqui um canal do Pernambuco.com:
quem somos | contato comercial | sua opinião sobre o portal
Copyright 2003 - Pernambuco.com | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização | faleconosco@pernambuco.com