É fato que a concorrência global é um dos itens inibidores do e-commerce local, mas mesmo nos segmentos onde não há essa disputa - no comércio cotidiano - o comércio virtual é carente no Estado. Restaurantes, lanchonetes, farmácias, videolocadoras, floriculturas e outros serviços do dia-a-dia praticamente inexistem no mercado virtual pernambucano. "Não tem como as empresas dos Estados terem competitivadade com as nacionais na venda de livros, cds ou eletrodomésticos, pois para estes produtos não existem fronteiras. Mas nas compras de conveniência, sim. Internet é sinônimo de conveniência e este é um mercado emergente que as empresas de Pernambuco ainda não começaram a investir", analisa Hamilton Matos, diretor de operações da Concept e especilista em estratégias comerciais e de marketing.
Uma das exceções recentes à regra é o site feiradigital.com, através do qual o internauta pode fazer uma verdadeira feira de frutas e legumes sem sair de casa. O site chega a ser um investimento inédito para os padrões daqui, mas em cidades como São Paulo, as grandes redes de supermercados, como o Pão de Açúcar, também investem pesado no comércio on-line. "O retorno deles, em São Paulo, é muito grande. O serviço do Pão de Açúcar gera uma fidelização dos clientes. E o Recife comporta um investimento deste tipo. Não sei como o Bompreço, que á maior rede do Estado, não aumentou a abrangência de produtos oferecidos em seu site. O mercado ainda teme os riscos, mas o público já está preparado", completa Hamilton.
A padaria Brotfabrik, localizada no Recife Antigo, também é um ícone isolado no seu segmento. Mas algumas redes de refeições rápidas que atuam no Recife, como a Bob's e o China in Box, disponibilizam entregas virtuais em outras capitais onde estão instaladas. Há dois anos, houve uma tentativa sólida de consolidar a compra e a entrega de refeições rápidas pela internet, através do site pecacomida.com.br - criado por Murilo Gun. O site funcionava como uma praça da alimentação virtual e trabalhava em parceiras com inúmeras empresas do setor. O endereço passou um ano no ar e acabou sendo desativado. "Se fosse hoje em dia, ele seria bem mais viável. A internet ganhou outra dimensão. Mais pessoas possuem computador em casa, existem inúmeros provedores gratuitos, conexões mais velozes e, principalmente, uma mudança de hábitos. Hoje, o consumidor já não tem tanta restrição e desconfiança em fazer uma compra on-line", explica Murilo. (F.F.)
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