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Atualizado em 26|11|2003 
Informática | UFPE monta super-rede de computadores
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Informática
UFPE monta super-rede de computadores
Chamado de cluster, equipamento será usado para fazer simulações em reservatórios de petróleo
Iúri Moreira
DA EQUIPE DO DIARIO
Imagine um sistema com 96 processadores, 48 gigabytes de memória Ram e 2000 gigabytes de espaço em disco. É o que está sendo montado por professores dos departamentos de Engenharia Mecânica, Eletrônica e Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para realizar simulações computacionais, primeiramente em reservatórios de petróleo. Para a montagem do equipamento, chamado de cluster, estão sendo investidos cerca de R$ 500 mil.

  O coordenador do projeto, professor Ramiro Wilmersdorff, explica que o cluster pode ser usado para muitos tipos de problema, além das simulações em reservatórios de petróleo. "A idéia é que possamos distribuir o esforço computacional de vários tipos de simulação, como previsão do tempo e projetos industriais", revelou. Como resultado, o problema é resolvido muito mais rapidamente. "É como se uma pilha de trabalho, em um escritório, fosse distribuída entre vários funcionários, de modo que cada uma trabalharia numa pequena parte", comparou.

  De acordo com o professor, as companhias de petróleo usam técnicas, como a recuperação, para aumentar a quantidade de óleo extraída. São perfurados poços, nos quais é injetada água, vapor, gás, para fazer com que estes produtos "empurrem" o óleo que está no reservatório para os poços de extração. A economicidade do campo depende diretamente da eficiência destes processos de recuperação. "Com a simulação computacional, é possível entrar com os dados do problema - como as propriedades das rochas e gases - e ter a indicação da atuação mais eficiente a ser feita", avaliou Wilmersdorff.

  Normalmente, estes modelos necessitariam de centenas de horas para serem resolvidos em um computador convencional, pois os fenômenos físicos envolvidos e seus modelos computacionais são muito complexos. Daí, a necessidade de se montar um cluster. "Antigamente, eram usados supercomputadores vetoriais, caros demais. Nosso cluster é formado por PCs comuns, com processadores e discos rígidos convencionais, além de tecnologia de montagem de rede normal", revelou Wilmersdorff.

  Além dos professores da UFPE, integram o grupo de pesquisadores quatro alunos da graduação, dois do mestrado e dois do doutorado. O projeto, que foi iniciado em maio deste ano e deverá ser concluído em 2005, integra a Rede de Modelagem e Simulação Computacional, criada pelo Fundo Setorial do Petróleo e do Gás, com suporte da ANP, Finep e do CNPq no desenvolvimento de pesquisas voltadas para a indústria de petróleo e de gás. O investimento nesta rede de pesquisa totaliza R$ 2,6 mi.

UNICAP - Os alunos de Ciência da Computação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), João Paulo Freire e Gláucio Melo, monitorados pelo professor Emerson Lima, do Departamento de Estatística e Informática (DEI), desenvolveram um programa que simula acidentes de derramamento de petróleo. O simulador, apelidado carinhosamente de Simoil pelos alunos, permite estudar a melhor maneira de combater a expansão de uma mancha de óleo no mar.

  A idéia do programa é permitir uma tomada inteligente de decisões. "Após entrar com omapa da região e as condições climáticas e físico-químicas, como o tipo de petróleo, o programa mostra a evolução da mancha e permite inclusive simular seu comportamento com a presença de obstáculos, como bóias e outros artefatos de contenção", explicou Lima. Assim, hipoteticamente, as equipes de emergências poderiam evitar que um vazamento de grandes proporções atingisse a costa pernambucana.

  O software vem sendo desenvolvido há dois anos e foi dividido em três partes. A primeira foi dedicada à criação da possibilidade de simular o comportamento de uma mancha no oceano, considerando fatores como correntezas e temperatura da água, chamada de fase matemática. Na segunda, chamada fase gráfica, foi desenvolvida a interface do projeto, permitindo sua utilização por leigos. A terceira etapa está para ser desenvolvida e engloba a experiência de campo, não sendo função dos desenvolvedores, e deve encerrar-se em dois anos.

  "Estamos na dependência de financiamento de agências apoiadoras, como Facepe, o CNPq e o Centro de Pesquisas de Petróleo da Petrobrás", declarou Lima. O software é financiado pelo Programa Institucional de Base para Iniciação Científica, e não deve ser comercializado. "Nós somos cientistas, e o objetivo foi contribuir na formação dos nossos alunos, além de mostrar que a Unicap é capaz de produzir tecnologia".

iuri@pernambuco.com

 
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