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Um novo problema de saúde pública no País
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Hepatite C |
Cleide Galdino Da equipe do DIARIO |
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O vírus da Hepatite C já pode ter infectado 3,2 milhões de brasileiros. No Mundo são 170 milhões de contaminados, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A detecção precoce da doença, através do exame de sangue Anti-HCV, é fundamental para a cura, especialmente porque 85% das pessoas que têm o vírus não conseguem. O mal se cronifica em vinte anos. Dos que se infectam, 20% vêem seu quadro evoluir para a cirrose hepática e 4% terão câncer de fígado. Em 90% dos casos, porém, a doença é silenciosa e não apresenta sintomas.
Esses prognósticos pouco otimistas fazem parte do conjunto de dados sobre a hepatite C divulgados esta semana por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, também da capital paulista. Segundo eles, apenas 2% dos brasileiros potencialmente infectados são diagnosticados e pelo menos 40% dos pacientes com Aids carregam o vírus da hepatite C. Estes podem desenvolver cirrose em seis anos, enquanto indivíduos não portadores do HIV levam até trinta anos para ter a mesma doença.
A contaminação com o vírus da Hepatite C ocorre através do sangue da pessoa infectada. Os grupos de risco, de acordo com o hepatologista Hoel Sette, professor da unidade de transplante Hepático da USP, são os usuários de drogas injetáveis que compartilham seringas descartáveis (correspodem a 80% das infecções), as pessoas que se submetem a transfusões ou transplantes (6%), hemofílicos (90%), renais crônicos que fazem hemodiálise (10%) e filhos de mães que têm o vírus (5%). "Cerca de 40% dessas crianças contaminadas pela mãe se livram do vírus no período de desenvolvimento graças à atuação do sistema imunológico", explica o pesquisador do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Mário Guimarães Pessoa.
Os homens desenvolvem a forma crônica da doença com mais freqüência que as mulheres. Outra observação curiosa dos cientistas é que os indivíduos da raça negra têm uma resposta orgânica menos satisfatória aos tratamentos aplicados, se comparados aos brancos.
OBrasil é um dos países que integram grupos de estudos internacionais sobre as formas mais eficientes de tratamento. O Instituto Emílio Ribas participa de três desses estudos, sendo um já concluído, que aponta a associação do interferon peguilado à ribavirina como a terapêutica mais eficaz para eliminar o vírus.
O vírus C tem seis tipos e vários subtipos. Entre os encontrados no Brasil o tipo 1 é o mais resistente às drogas. O interferon peguilado conseguiu aumentar o resultado de cura de 28% para 47% dos casos no tipo 1 e de 60% para 82% no tipo 3. O obstáculo para o uso do remédio ainda é o preço. Cada injeção semanal custa R$ 700,00. O tempo de tratamento pode variar de seis meses a um ano.
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