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Edição de Segunda-Feira, 17 de Novembro de 2003 
Política | Entrevista - Eduardo Gianetti da Fonseca
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POLÍTICA
Entrevista - Eduardo Gianetti da Fonseca
DIARIO de pernambuco - Por que o senhor considera as câmaras de vereadores "um mercado de parasitismo"?

Eduardo Gianetti da Fonseca - É um mercado que só faz absorver recursos. Cerca de R$ 3,7 bilhões são gastos por ano com a remuneração de vereadores e o custeio das câmaras. É quase o dobro dos recursos destinados ao Bolsa-Escola, que são de R$ 2 bilhões. De 1990 até hoje foram criados 1.070 municípios nos Brasil. Esta proliferação de municípios virou um ótimo negócio, porque é uma forma de capturar partes do orçamento federal e estadual. Passam a viver de repasses da União e dos estados, que a sociedade não tem como controlar. Temos hoje 5.561 câmaras municipais e cerca de 61 mil vereadores. Em muitos casos com estruturas desnecessárias, pagas com recursos que poderiam ser aproveitados em outras áreas.

DP - Como enfrentar este problema?

Gianetti - Os vereadores de municípios pequenos, com até 50 mil habitantes, que são 91% dos municípios do País, não deveriam receber honorários. Até 1988 eles não recebiam.Veja que o Brasil gasta R$ 3,7 bilhões para sustentar 5.561 câmaras. Em Londres não há vereadores. Por que aqui o contribuinte deve sustentar vereadores que se reúnem uma vez por semana e ganham R$ 3 mil, R$ 4 mil ao mês? E o problema terá outras conseqüências no futuro, com o pagamento das aposentadorias para 61 mil vereadores. Outra medida que proponho é que os novos municípios que não consigam arrecadar pelo menos 30% do que gastam deveriam ser extintos.

DP - Ano passado, em entrevista, o senhor dizia colecionar casos de "aberrações" nas câmaras. Citava o caso da câmara de Jaboatão, que teria mais funcionários que a fábrica da Volkswagen em Resende (RJ), e perguntava por que Ituiutaba (MG) precisava de 17 vereadores quando em Londres não havia nenhum. Outros casos incorporaram-se à sua coleção?

Gianetti - Em todos os locais onde vou dar palestra sempre, no final, alguém me procura para contar novos casos. Não são aberrações isoladas.
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