(Atualizado no dia 02/11/2003)
 
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Saúde

Bactéria ameaça 70% da população

ESTÔMAGO

Uma bactéria que habita os estômagos de 70% dos brasileiros pode causar um estrago considerável na saúde se não for tratada quando se manifesta. Náuseas, dores, queimação, digestão difícil dos alimentos são apenas alguns dos sinais da presença do Helicobacter pilory (H.pylori) no organismo. A infecção estomacal causada pela bactéria pode evoluir para doenças como gastrite, úlcera e até câncer de estômago. Para chegar a esse extremo, porém, é preciso muito descaso por parte do paciente.

  De acordo com o professor de gastroenterologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Universidade de Pernambuco (UPE), José Roberto Almeida, cerca de 40% dos infectados pela bactéria são assintomáticos, não desenvolvem qualquer doença ou sintomas relacionados. "Isso não significa que ela não vai se manifestar algum dia", explica.

  No Brasil, o índice de contaminação, segundo o professor, é maior na primeira infância e na adolescência. Nos países ricos, são os adultos as vítimas mais freqüentes. Também são nessespaíses que a incidência de casos de câncer pela ação do H.pylori é maior. A contaminação ocorre principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados.

  O H.pylori está associado a 90% dos casos de úlcera duodenal, 70% dos de úlcera gástrica e 60% das intercorrências de câncer gástrico. O diagnóstico da presença da bactéria pode ser feito através de uma biopsia durante exame de endoscopia. De acordo com José Roberto Almeida o processo para que o indivíduo desenvolva câncer por H.pylori é longo. "É preciso a junção de uma série de fatores, entre eles a tendência hereditária para ter a doença", diz o especialista.

  Não existe uma explicação objetiva para o fato de algumas pessoas desenvolverem doenças relacionadas à bactéria e outras não. "Existem indivíduos que são imunologicamente mais resistentes, outros nem tanto. Sabe-se também que fatores genéticos, fumo, bebida e uso de drogas contribuem para tornar algumas pessoas mais vulneráveis", acrescenta.

  O tratamento é feito com antibióticos e um medicamento que inibe a acidez. O índice de reinfestação dos pacientes chega a 5%. A dona de casa Ana Maria Feitosa, 48 anos, foi uma das que experimentaram uma recaída na infecção gástrica por H.pylori. "Há dois meses tive que ser socorrida por causa das dores, que estão piores do que antes. Tenho que recomeçar o tratamento novamente", reconheceu.








 

 
 
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