Edição de Sexta-Feira, 7 de Novembro de 2003
 

Início Diario de Pernambuco Especial - Orgulho de Pernambuco Uma vida cheia de arte

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Especial - Orgulho de Pernambuco

Uma vida cheia de arte

Brennand diz que é um escultor com coração de pintor

Um escultor com coração de pintor. Assim se define o artista Francisco de Paula de Almeida Brennand, que nasceu no dia 11 de junho de 1927, no Recife. Filho do casal Ricardo Monteiro Brennand e Olimpia Padilha Nunes Coimbra, Brennand foi morar no Rio de Janeiro em 1937. Ingressou no Colégio Aldridge, na praia de Botafogo, seguindo no ano seguinte para o Colégio São Vicente de Paula, em Petrópolis, onde estudou como interno. Em 1939 retornou ao Recife, e matriculou-se no Colégio Marista, onde concluiu o curso ginasial em 1942. Em seguida, o artista foi estudar no Colégio Oswaldo Cruz para concluir o segundo ciclo colegial, onde conheceu Deborah de Moura Vasconcelos, que viria a ser a sua esposa. Após concluir o curso secundário, Brennand desistiu de ingressar na Faculdade de Direito e começou a estudar pintura, além de trabalhar na Cerâmica São João, que pertencia a seu pai, como aluno informal do escultor Abelardo da Hora.

  Desde cedo o seu talento é revelado através de caricaturas de professores e colegas.Em 1945, o escritor Ariano Suassuna, então colega de classe, o convida para ilustrar os poemas que ele publicava no Jornal Literário do colégio. Brennand começa a ser orientado na pintura pelo pintor e restaurador Álvaro Amorim, um dos fundadores da Escola de Belas Artes de Pernambuco, que havia sido contratado para restaurar a coleção de João Peretti que a sua família havia comprado. Começa a conviver com diversos artistas convidados pelo seu pai Ricardo Brennand, para pintar a paisagem natural do engenho São João, entre eles, Balthazar da Câmara, Mário Nunes e Murilo La Greca. O artista acompanha os trabalhos de pintura e começa a pintar paisagens, transformando uma casa abandonada do engenho em seu primeiro ateliê.

  Com apenas 20 anos de idade, Brennand conquista o prêmio que considera o mais importante da sua carreira: o Primeiro Prêmio no Salão de Pintura do Museu do Estado de Pernambuco. "Foi a partir dele a escolha pela profissão. Ia entrar na faculdade de Direito e resolvi não prestar vestibular, e decidi viajar para o exterior. Dai em diante me considerei um pintor", destaca. Em Paris, Brennand frequentou o atelier de André Lothe e Fernand Léger. De lá seguiu para Bélgica, Suíça, Portugal e Espanha. Em Barcelona o encontro com a arquitetura e esculturas de Gaudi o impressionaram tanto que acabaram influenciando sua obra futura. Em 1952 estabeleceu-se na Umbria (Deruta), aprimorando os seus conhecimentos de cerâmica em uma fábrica de faiança, nos arredores de Perúrgia.

  Quando retornou ao Brasil, Brennand reconstruiu e reformou o seu ateliê na velha casa do Engenho São Francisco, misto de fortaleza e convento nos fins do século XVIII. "Tinha alguns preconceitos contra a cerâmica. Achava uma arte menor, decorativa, utilitária", comenta. Esse preconceito que tinha da cerâmica mudou quando o artista morava em Paris, e pode ver a primeira exposição de cerâmicas do pintor Pablo Picasso. Ao retornar ao Brasil, decidiu trabalhar com cerâmica para retomar o tempo perdido. Começou a esculpir intensamente, realizando exposições de pintura e cerâmica em vários museus e galerias de todo o país.


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