DEBATE
Nem tão dócil nem tão pacífica. A história do Brasil é marcada pelo conflito. Esta é a conclusão a que chegou o sociólogo Abdias Moura, com seu livro Sumidouro do São Francisco. A publicação chega à maioridade (18 anos) e ganha uma terceira edição, revista e ilustrada da Tempo Brasileiro. A análise de Abdias Moura sobre o País parte do interior para o litoral, segue as pegadas dos produtores de gado do São Francisco, que chegaram ao sertão e ali se instalaram. "A intenção ao mostrar as origens, é ressaltar que desde o começo houve conflito, embora a história oficial fale de um povo cordial", avalia o escritor. E ele entende que, nesse sentido, seu Sumidouro está mais próximo de Os Sertões, de Euclides da Cunha do que de Gilberto Freyre.
O Sumidouro do São Francisco na Obra de Abdias Moura é tema do colóquio a ser realizado hoje, às 15h, na Fundação Joaquim Nabuco, em Casa Forte. O encontro é o primeiro de uma série do futuro Ciclo de Estudos Literários da Fundaj, conforme anuncia o coordenador do Centro de Literatura Mauro Mota, do Instituto de Documentação da Fundaj, Humberto França. A iniciativa conta com apoio da União Brasileira dos Escritores (UBE-PE). A conferência terá participação, além do autor, dos comentadores Socorro Ferraz (UFPE), Vital Corrêa de Araújo (UBE-PE), além de Jorge Siqueira e Rita de Cássia Araújo (diretores do Instituto de Pesquisas Sociais e de Documentação da Fundaj).
No encontro, vai ser destacado o aspecto literário do livro. Ele partiu uma de pesquisa de campo feita com uma população numa área próxima ao Rio São Francisco, de comunidades remanescentes de negros e índios. "Apesar de ser brasileiro, eu fui como pessoa de fora, num estado de espírito de abertura total", e acrescenta que seu Sumidouro não é um livro de síntese. Em 40 capítulos, ele trata do extermínio dos índios, a dívida brasileiro, fanatismo religioso. "A partir desse marco, os estudos se expandiram em termos geográficos, para situar o Brasil na geografia do Mundo; em termos históricos, para definir um tempo determinado - o do começo da ocupação territorial pelos representantes das culturas formadoras do povo brasileiro e, finalmente, com as épocas que sucessivamente conduzem ao atual momento da vida nacional", escreveu.
E lembra que os índios comentavam que o Rio São Francisco se escondia, que se metia no subterrâneo. Ele nasce em Minas Gerais, corta a Bahia pelo oeste, separa Bahia de Pernambuco e Alagoas de Sergipe. Do sumidouro do rio o autor faz um paralelo a "mania brasileira de fazer de conta que não existe crise".
Bacharel em Direito, sociólogo, jornalista e escritor, Abdias Moura escreveu os livros A Descoberta da Harpa, O Evangelho do Subdesenvolvimento, Os Desamores de Benedicto, O Segredo da Ilha de Pedra, As Sociedades no Planeta Terra e Memórias do Século XX. Em 2002, a obra dele ganhou publicação reunindo comentários de várias personalidades, como Gilberto Freyre, Alberto da Cunha Melo, João Alberto, entre outros.
Serviço
O Sumidouro do São Francisco na Obra de Abdias Moura
Onde: Sala Calouste Gulbenkian, Fundaj (av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte.
Fone: 3441.5500)
Quando: Hoje, a partir das 15h