Mulher que se aventura sem companhia deve planejar desde a bagagem à segurança
Mariana Ceratti
Especial para o DIARIO
Esquecer que existem escova, chapinha, curvex e outros acessórios chiquérrimos. Planejar bem a mala, levando somente o mais básico e necessário, sem pensar se aquela sandalinha com strass vai combinar com os tops coloridos de balada. E, acima de tudo, estar alerta o tempo todo: é preciso cuidar do cartão de crédito, do passaporte e de todos os documentos como se eles fossem ouro. Tudo isso faz parte da rotina das mulheres que viajam sozinhas.
Para elas, a falta de companhia não é desculpa para desistir de conhecer novos destinos, culturas e pessoas. Com um bom planejamento e alguns lembretes de segurança, não é preciso ter medo. E muito menos se assustar com o preconceito - que pode estar em qualquer parte do mundo - de quem, em pleno século 21, ainda acha estranho ver uma mulher independente.
Nos Estados Unidos, onde é impressionante a quantidade de livros e sites de orientação, elas já são 47% dentre as 34,8 milhões de pessoas que viajaram sozinhas nos últimos três anos, segundo relatório da Travel Industry Association (TIA). Outra pesquisa que chama a atenção foi feita pela agência de turismo especializada Women Traveling Together (''Mulheres que Viajam Juntas''). Das 500 entrevistadas, 68% disseram que já viajaram sozinhas pelo menos uma vez. No entanto, 79% delas somente decidiram viajar depois de verem que não conseguiam encontrar uma companhia.
No Brasil ainda há pouquíssimos dados sobre o assunto. Em compensação, é fácil encontrar dicas variadas para a viagem dar certo. Três viajantes escoladas contaram suas histórias para o Lugares e asseguraram: quanto mais discrição, melhor. ''Em países como a Itália, Estados Unidos e Grécia a brasileira tem fama de dar mole muito fácil'', diz a publicitária Monaliza Maia, 36 anos, que viaja sozinha desde os 15 e já até passou um mês colhendo pêssegos na Grécia. '' É bom evitar roupas muito coladas, transparentes, ou batons muito fortes.''
Para não errar na hora de arrumar as malas, é preciso levar em conta não só o clima, mas também os costumes e tradições do lugar para onde se vai. Nos sites com dicas para mulheres, esse talvez seja um dos conselhos mais presentes. A administradora Helena Araújo, 22, assina embaixo. No começo do ano, durante uma viagem longa à Austrália, ela aproveitou para também conhecer os mercados flutuantes e templos budistas da Tailândia.
Apesar do tempo quente, Helena preferiu as calças jeans, saias compridas e blusas de manga curta - nada de regatas. ''Entrar nos locais sagrados de short, mostrando a barriga ou os ombros é visto como uma ofensa'', lembra. A recomendação também vale para outros lugares onde o calor e a religiosidade sejam igualmente fortes, caso de vários países muçulmanos.
SEM SUSTOS - Outra preocupação das grandes entre as mulheres que encaram uma viagem sozinhas é a segurança. Para cuidar de si e das próprias coisas cada uma acaba inventando uma tática diferente - mas todas com um elemento em comum: é preciso manter sempre a atenção a tudo o que está ao redor. Helena diz que vale muito mais a pena chegar de dia às cidades que vão ser visitadas. ''Estive em Bangcoc, que é caótica, e chegar lá às 18h já é perigoso. Antes disso, é mais seguro e fácil pegar um táxi e chegar ao hotel'', diz.
Aliás, assegure-se de reservar com antecedência uma vaga no lugar onde você vai ficar. Para quem quer viajar sem gastar muito, os albergues (também conhecidos como B&B, bed and breakfast) são conhecidos como uma opção prática e segura de hospedagem para as mulheres. Como muita gente viaja sozinha, acaba fazendo amigos na mesma situação - e, qualquer problema, um pode ajudar o outro.
Tanto nos albergues quanto nas hospedagens comuns e até mesmo na rua tome cuidado especial com suas malas e, principalmente, com os três itens mais importantes de sua bagagem: passagem de volta, cartão de crédito e passaporte. Guarde espaço para uma bolsa pequena, ou mesmo para um tipo de pochete feita com pano que se pode usar por dentro das roupas. Em alguns sites da internet, há até relatos (bem divertidos, por sinal) de meninas que costuraram bolsinhos dentro de sutiãs ou de meias grossas só para guardar dinheiro.
E como se proteger dos engraçadinhos que vêem na mulher que viaja sozinha uma chance de se dar bem? Quem já passou pela experiência garante que uma atitude firme - e, em alguns casos, até um pouco de cara feia - são sinais entendidos em qualquer língua. E, claro, muita calma nessa hora. Quando esteve na Itália, onde os homens têm fama de objetivos e machistas, a procuradora Valéria Pessoa, 34, levou dois sustos. Mas no final deu tudo certo.
''Um italiano começou a falar que tinha acabado de sair da cadeia, acho que para aterrorizar'', conta. Com tranqüilidade, ela fez com que o valentão sossegasse. Em outra oportunidade, Valéria precisou bater a porta na cara de um homem que começou a segui-la. ''Nessas horas, é preciso se virar e até saber dar um fora.''
Probleminhas à parte, viajar sozinha pode ser um grande exercício de confiança e autoconhecimento. E muita gente garante: quem parte sem companhia dificilmente fica só o tempo todo. ''Quando viajei pela Europa, fiz tantas amizades que, no dia em que voltar, vai ter gente para me buscar no aeroporto e para me acompanhar nos passeios'', comemora Valéria.