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Saber quantos são, onde estão, como trabalham e quais as dificuldades enfrentadas pelos grupos que atuam com práticas populares de saúde, são os objetivos que norteiam o mapeamento realizado pela Articulação Nacional dos Movimentos Sociais das Práticas Populares em Saúde e Educação (Aneps), no Estado. Uma equipe que inclui antropólogos, sociólogos e historiadores começarão a percorrer o Interior nos próximos quinze dias para colher as informações sobre o trabalho das rezadeiras, parteiras, produtores de remédios naturais, educadores populares em saúde e até dos índios. Esse material irá compor um catálogo, que vai ajudar a subsidiar políticas públicas voltadas para esses grupos.
De acordo com o coordenador da Aneps em Pernambuco, Carlos Silvan, um dos objetivos do levantamento, que também está sendo feito à nível nacional, é traçar o perfil das práticas, a partir das quais se constróem as tradições da medicina popular. Segundo ele, 150 pessoas já foram entrevistadas na Região Metropolitana do Recife. "Aotodo, serão quinhentos os pesquisados em todo o Estado", diz Silvan.
O levantamento, segundo o coordenador, está sendo financiado nacionalmente com recursos do Banco Mundial (Bird) e é operacionalizado através de parcerias com instituições, como a Fiocruz e o Centro de Pesquisa Leopoldina, no Rio de Janeiro. A previsão é que os trabalhos de campo e compilação das informações sejam concluídos em Pernambuco nos próximos dois meses.
Com o estudo, gente como a rezadeira, Maria das Graças Pereira da Silva, 37 anos, deve sair do anonimato para a fama. Há quatro anos, ela passou a dar continuidade ao trabalho da mãe, no bairro do Hipódromo, onde mora, usando as rezas para livrar adultos e crianças de uma série de doenças. "Aceito a minha vocação de bom grado, não recebo nada por ela e não deixo de atender a ninguém que me procura", garante Graça.