Edição de Quarta-Feira, 29 de Outubro de 2003
 
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Brasileira causa furor em exposição de Londres

Errou quem pensou em Gisele Bündchen; a bela é a virtual Kaya

Andrea Pinheiro
Da equipe do DIARIO

Tem brasileira causando furor em Londres (Inglaterra) e não é Gisele Bündchen. O nome dela é Kaya e é uma das atrações da exposição Perfectly Real: Women in Bytes and Bytes (Perfeitamente Real: Mulheres em Bits em Bytes), no espaço Watermans. Isso mesmo, Kaya não é real, é uma imagem criada em três dimensões (3D) por um dos sócios da empresa de animação e efeitos digitais Vetor Zero, Alceu Baptistão. Ela divide o espaço com outras mulheres virtuais, criadas no computador, que já estiveram reunidas no livro Digital Beauties, do do brasileiro Julius Wiedemann.

  Kaya nasceu para ser uma cantora virtual, mas acabou seguindo novos caminhos. "A idéia surgiu da nossa observação do surgimento de mulheres virtuais na internet. O projeto dormiu por muito tempo devido ao nosso escasso tempo livre, então, um dia resolvi começar, meio de brincadeira, e acabou ficando interessante", conta Alceu Baptistão. Para criá-la, Baptistão colecionou referências de mulheres reais que tinham traços compatíveis com o que imaginava. Daí, passou a trabalhar por tentativa e erro. "Nunca existiu uma modelo única como referência", ressalta.

  Baptistão diz que, desde o início, tinha a ambição de fazer algo diferente da beleza perfeita que é comum nas mulheres digitais. "Meu sonho era criar uma figura verossímil, alguém com quem você poderia encontrar na rua, e ainda assim com um rosto encantador, ainda que imperfeito", afirma, lembrando que sempre teve uma queda pelas mulheres de rosto exótico, que não parecem bonitas imediatamente. "Kaya tem a boca e os dentes muito grandes, por exemplo, tem sardas e olhos afastados, e o nariz não é pequenininho e perfeitinho".

  Ao olhar para Kaya, nota-se que a modelo ainda não está totalmente pronta, não possui pernas, por exemplo. "Kaya está dormindo já há vários meses, e não tenho previsão de quando vou retomá-la, a prioridade são os trabalhos comerciais", justifica. Baptistão diz que fazer um filme 3D no Brasil é inviável. "O mercado não paga o investimento em tempo e dinheiro, nem seria possível montar uma estrutura gigante como a dos filmes norte-americanos", justifica. Nos planos, pelo menos por enquanto, um videoclipe ou algo mais modesto.

  A Vetor Zero está há mais de 15 anos no mercado e é uma das maiores produtoras de efeitos especiais digitais da América Latina. É criação de sua equipe, por exemplo, a simpática tartaruga da campanha publicitária da Brahma e do Halls, onde aparecem os pingüins. Em Cannes, deste ano, a produtora levou o Leão de Bronze por um comercial da Arno.

andrea@pernambuco.com








 

 
 
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