Navios com roteiro em cidades brasileiras têm que contratar 15% da mão-de-obra local
Cleiton Fernandes
DA EQUIPE DO DIARIO
Com a chegada do verão, trabalhar na tripulação de navios que fazem cruzeiros pelo Brasil é uma boa oportunidade para os interessados em incrementar as finanças pessoais. Quem quiser embarcar, a hora é essa. Todos os anos, dezenas de transatlânticos estrangeiros ancoram por aqui para a temporada do verão, com uma tripulação que varia de 400 a 550 pessoas. Até o final do ano, por exemplo, os transatlânticos Funchal, Pricess Danae, R5 Blue Dream e Island Escape devem aportar no litoral nordestino.
Muita gente não sabe, mas por lei, os navios que incluem no roteiro cidades e passageiros brasileiros têm a obrigação de contratar pelo menos 15% da tripulação também de brasileiros. É uma oportunidade para quem quer ganhar um dinheiro extra na temporada de férias escolares ou para driblar o fantasma do desemprego. "Os salários são em dólares e, em média, quem está começando pode ganhar de US$ 800 (R$ 2,4 mil) a US$ 1,2 mil (R$ 3,6 mil) por mês", conta Milton Sanches, diretorda BCR, representante de navios como Funchal, Princess Danae e R5 Blue Dream.
As oportunidades são para as diversas áreas, como garçons, barman, arrumadeiras, dançarinos, professores de ginástica e músicos. Inicialmente, as empresas contratam para temporadas que duram entre três e quatro meses. Mas caso as companhias estiverem satisfeitas com o trabalho e o tripulante tiver disposição, há possibilidade de continuar no navio e ir para outros mercados, como o europeu e o caribenho.
Entretanto, trabalhar em um navio não é uma das tarefas mais fáceis. Vale a pena lembrar que o funcionário não está a turismo e sim a trabalho. A jornada pode durar até 12 horas por dia. O tripulante passa muito tempo sem ver a família. Mas um atrativo é que os custos com alimentação e hospedagem ficam por conta da administração do próprio navio.
Milton Sanches diz que os três transatlânticos representados pelo grupo que passarão pelo Brasil vão contratar cerca de 220 brasileiros. Isso porque, estima-se transportar 12 mil passageiros pelo País de dezembro até março. "Por isso, o mercado para esses profissionais está crescendo. Quanto mais pessoas transportamos, mais empregos geramos".
PERFIL - Verônica Mesquita, proprietária da Work at Sea - agência de seleção e agenciamento de mão-de-obra para transatlânticos -, explica que para dar certo nesse nicho é necessário que o candidato seja extrovertido, goste de lidar com público, tenha experiência na área onde atua e domine um ou dois idiomas. "As línguas inglesa, espanhola, italiana e francesa são as mais requisitadas". A agência ficará responsável pela seleção da mão-de-obra brasileira do Island Escape, que visitará a costa brasileira no próximo mês de dezembro.
O guia de turismo, Henrique Farias, de 30 anos, conhece bem o que é trabalhar em alto-mar. Ele fez parte da tripulação do Funchal, quando o transatlântico incluiu o País no roteiro na temporada do ano passado. Foi uma experiência válida tanto do ponto de vista pessoal quanto profissional. Henrique trabalhou na venda de pacotes de passeios turísticos para trilhas, visitas a monumentos e passeios de buggy - nas praias onde o navio atracava. "O trabalho era intenso, mas a oportunidade em conhecer vários lugares, ampliar a rede de contatos e receber cerca de R$ 2,5 mil também eram fatores estimulantes".
Além disso, as chances de fazer uma carreira trabalhando em navios são grandes. Os animadores podem chegar a chefes de equipe e até a diretores de cruzeiros, em alguns casos.
Serviço
Envio de currículos
Funchal, Princess Danea e R$ Blue Dream: bcr@bcr.com.br
Island Escape: inscrições no site www.workatsea.com.br.