COMPRA DA VÉSPER
A Embratel está a um passo de finalizar a compra da Vésper, operadora espelho da Telemar em 16 estados e da Telefônica em São Paulo. A concessionária aguarda apenas a aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para concluir o negócio. Segundo informou o presidente do Conselho de Administração da Embratel Participações, Dan Crawford, a companhia já entregou à Anatel os documentos referentes à transação, anunciada em 11 de agosto após a assinatura de uma carta de intenções.
Vésper, Intelig e BCP eram as três companhias do setor que nos últimos anos estavam fortemente endividadas. A BCP foi comprada pela Claro e a Intelig tem a norte-americana GSC World Telecom como candidata. A Vésper atua em 89 municípios nos 17 estados e possui cerca de 500 mil clientes. A Qualcomm, controladora da empresa, havia admitido que a operadora não decolou por falta de investimentos, mas nem por isso se mostrou disposta a alocar mais recursos na operadora brasileira.
Para a Embratel, no entanto, a compra da Vésper é estratégica. Funcionará como uma porta de entrada para o mercado residencial e de pequenos negócios, alavancando o segmento de telefonia local da empresa, hoje concentrado nas grandes corporações. Pelo anúncio feito em agosto, a Embratel vai retomar os investimentos na Vésper, mas o montante que será injetado não é revelado. De acordo com Crawford, os planos para a Vésper somente serão divulgados depois da aprovação da Anatel.
DESEMBOLSO - A Embratel deverá comprar a Vésper sem desembolsar recursos do seu caixa e sem assumir a dívida da empresa. Pelo acordo, a concessionária passa a ser dona de 100% das ações das duas subsidiárias da Vésper, em São Paulo e nos 16 estados onde ela concorre com a Telemar, do Rio de Janeiro ao Amazonas. A Embratel também se compromete a utilizar a tecnologia CDMA, da qual a Qualcomm é dona, no desenvolvimento das redes da Vésper. Em contrapartida, a Qualcomm dispõe de US$ 40 milhões (cerca de R$ 156 milhões) para financiar a venda.
A Embratel reduziu sua previsão de investimentos para este ano, que era de R$ 700 milhões, para menos de R$ 600 milhões, sendo que US$ 293 milhões foram utilizados até setembro. O lucro líquido no terceiro trimestre foi de R$ 15,493 milhões.