Edição de Quarta-Feira, 29 de Outubro de 2003
 
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Economia

Juro cai 11,7 pontos percentuais

CHEQUE ESPECIAL

BRASÍLIA - As taxas de juros cobradas pelos bancos sofreram quedas em praticamente todas as modalidades de empréstimo no mês de setembro. Mas o destaque ficou mais uma vez com a taxa do cheque especial para pessoas físicas, que teve a sua maior redução no ano, de 11,7 pontos percentuais. Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a economia brasileira já dá sinais de que reverterá o quadro de retração verificado na primeira metade deste ano. "A parte mais árdua ficou para trás", afirmou. A taxa de juros média do cheque especial passou de 163,9% ao ano em agosto para 152,2% ao ano em setembro. A taxa é a menor desde julho de 2001, mas ainda é alta se comparada às taxas que os bancos têm de pagar para obter recursos a serem emprestados.

  Essa diferença, chamada de spread, está em 133,2% ao ano no caso do cheque especial. "As taxas ainda são muito altas, altíssimas", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Em relação a setembro, a redução do spread foi de 9,5 pontos percentuais. Lopes lembrou que as taxas finais vêm caindo mês a mês e que a queda deve colaborar para a retomada do crescimento em 2004.

  Para as empresas, a maior queda ocorreu nos empréstimos de curtíssimo prazo, de dez dias, chamados de hot money. As taxas anuais caíram de 56,6% em agosto para 50% em setembro.

  Lopes explicou que, além da redução da taxa básica de juros (Selic), hoje de 19% ao ano, a queda das taxas vem sendo influenciada pelos novos tipos de créditos facilitados para a compra de bens de consumo e pelas taxas dos empréstimos com desconto em folha de pagamento - criada em setembro. Nessa operação, alguns trabalhadores conseguem taxas de 1,75% ao mês.

  De acordo com o Banco Central, a taxa de juros média para as pessoas físicas ficou em 70,7% ao ano, a menor desde dezembro de 2002. Para as empresas, a taxa foi de 34% ao ano, a menor desde junho do ano passado.

  A redução das taxas de juros bancárias ainda não teve o efeito de elevar de maneira significativa o volume de créditos do setor financeiro. Esse volume corresponde hoje a 25,3% do PIB (Produto Interno Bruto) e não vem sofrendo variações importantes nos últimos anos. Em 2002 o percentual esteve próximo de 27%.

 








 

 
 
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