O mercado está otimista com o reforço de caixa do Sassepe e as perspectivas de saneamento financeiro. Afinal de contas, o plano dos servidores injeta por mês cerca de R$ 6 milhões em pagamentos para os prestadores de serviços, incluindo rede credenciada e HSE. Uma boa fatia de R$ 4,5 milhões é paga aos hospitais, inclusive ao pólo médico do Recife. Não precisa dizer que aos empresários do setor não interessa a quebradeira do plano de saúde público. Mesmo com faturas em atraso de doze meses, acumulando uma dívida de R$ 12 milhões, os servidores continuam sendo atendidos na maioria dos hospitais. Houve problemas pontuais de atendimento em Petrolina e Garanhuns.
Os donos de hospitais compreenderam que é ruim com o Sassepe, mas pior sem ele. Até porque, o pólo médico enfrenta dificuldades financeiras, em parte pela falta de reajuste das tabelas de honorários dos planos de saúde. Perder uma carteira de 255.455 faz a diferença. Mardônio Quintas, presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe), confirma que os prestadores de serviços tiveram perdas com a crise do plano dos servidores. Mesmo assim, exercitaram a paciência e apostam hoje na recuperação financeira do plano. "Os hospitais do pólo médico não têm vocação para o atendimento ao SUS", disse.
O presidente regional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Flávio Wanderley, considera fundamental a gestão funcionar bem para o futuro do plano. "Saúde suplementar não tem mágica. Tem que funcionar com gerenciamento e controle nos custos", afirma. Ele considera o fator moderador imprescindível para o futuro do Sassepe. Explica que até os planos coletivos funcionam com a co-particpação financeira, para evitar abusos no uso dos serviços. Wanderley disse que o plano de saúde dos servidores poderá, no futuro, abrir as portas para outros usuários, como forma de ampliar as receitas. O atrativo é o preço. O custo médio per capita no Sassepe é R$ 17,55 enquanto na rede privada chega a R$ 44,00.