BRASÍLIA - A cerimônia de unificação dos programas sociais selou o afastamento definitivo da ministra da Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, tanto na condução quanto da participação dos projetos sociais do Governo. Também deixou à margem o ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, Francisco Graziano.
Só que a situação de ambos é diferente: Graziano continua prestigiado pelo presidente Lula, e mesmo que tenha seu ministério esvaziado, não deixará o Governo, enquanto Benedita tem um futuro incerto, a ser conferido na reforma ministerial prevista para final de dezembro ou janeiro.
Ficaram ao lado de Lula a primeira dama, Marisa Letícia, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e a coordenadora do programa, Ana Fonseca. Benedita permaneceu calada e de cara fechada durante toda a solenidade. Lula somente tocou no nome dela no início do discurso. Enquanto acontecia o evento, ela olhou diversas vezes para o relógio. Ao final, saiu às pressas e não quis falar com os jornalistas.
Entra em cena, forte e com muito prestígio, a socióloga e ex-pesquisadora da Unicamp Ana Fonseca, que assume a secretária-executiva do programa social unificado, como o nome Bolsa-Família. Fica também mais forte nesta área, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que se responsabilizou pelo trabalho de unificação e influenciou na escolha de Ana Fonseca para o cargo.
O ministério comandando pela desgastada ministra Benedita foi criado com o objetivo de unificar as ações do governo na área social. A partir de agora, ficará responsável apenas pela execução de três programas: a Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS), o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), que atende 850 mil crianças; e o Agente Jovem, que beneficia cerca de 30 mil pessoas.
DEVOLUÇÃO - Ontem, Benedita anunciou que irá devolver ao Governo R$ 4,6 mil gasto com a viagem a Buenos Aires. Na semana passada ela havia decidido que a devolução seria feita em juízo, mas mudou de idéia.