Edição de Terça-Feira, 21 de Outubro de 2003
 

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Opinião

Como vencer a crise

Da matéria central divulgada pelo DIARIO, nesta última segunda-feira, sobre a construção civil no Estado, ressaltam inúmeros motivos para encarar com otimismo esse que é, hoje, um segmento pujante de nossa economia. O interessante é notar que o dinamismo da construção civil em Pernambuco não derivou do recebimento, por ela, de uma forma particular de incentivo da parte dos governos. A construção civil de Pernambuco se tem cozido com as próprias linhas, tem incentivado a seu modo o mercado imobiliário local, não o deixando contaminar pelo emperramento econômico que atropela, praticamente, as demais atividades no Estado e no país. O exercício está por encerrar-se, mas só a metade dos R$ 5,3 bilhões prometidos pelo Governo Federal, para aplicação nas construções civis, veio de ser liberada. "Muitas obras do projeto 'Alvorada' estão paralisadas, diz empresário, por falta de recursos".

  De onde veio o êxito de colocar a construção civil como formadora de 13% do PIB pernambucano já em 2002? De onde veio o sucessode situá-la bem longe dos elevados índices do desemprego que testemunhamos em toda parte? Como foi possível que o número de empresas do setor chegasse a três centenas, das quais inúmeras galardoadas com a certificação ISO de excelência, sem que tinham sido objeto de financiamentos generosos, como antigamente?

  Não houve mágica. Ante as dificuldades do momento, o setor veio de reciclar comportamentos. Na medida em que a palavra crise significa purificação pelo fogo, pelo sofrimento, a construção civil deu a volta por cima, começando por baixar perdas 10% e até 30% para ínfimos 3%. Foi cada vez maior o número de empresas empregadoras de mão-de-obra que passou a qualificar o operariado. Na ausência de dinheiro para os programas-mestres prometidos pelo Governo, recorreram ao cooperativismo imobiliário, aos financiamentos com recursos próprios e aos condomínios fechados.

  Houve outros ajustes, outras posturas anti-crise com vistas à elevação da produtividade redutora de custos. Não mais se estocam vergalhões noscanteiros, operação cara e desperdiçadora. Agora, os fornecedores já mandam para a obra vergalhões sob medida e dobrados. Tijolos de tamanho variado permitem uma escolha seletiva, com que se evitam quebras desnecessárias e a formação de entulhos. Sobras de material, eis o que poderia parecer impossível ou dificultoso, podem ser aproveitados em etapas subseqüentes do processo de construção. É o caso da utilização da argamassa como contrapiso. Veio de ser simplificada, com o ganho conseqüente de tempo e dinheiro, a instalação das partes elétrica e hidráulica.

  Outros aspectos relevantes que merecem ser notados são a apreciável queda na estatística dos acidentes de trabalho e a alfabetização dos empregados. De tão significativas, estas providências bem poderiam ser objeto de comentário à parte, mas, de logo, se afirme que nenhum benefício poderão os empresários deste e demais setores da economia proporcionar à sua mão-de-obra que ensiná-la a poupar a saúde e a vida e ensiná-la a ler e escrever. Estas são, por sinal, duas campanhas e duas preocupações cardeais do Governo e da sociedade como um todo.

Esfera pública e democracia

Michel Zaidan Filho
CIENTISTA POLÍTICO

Estamos comemorando este ano o centenário de um pensador alemão que muito se empenhou em analisar as virtualidades democratizantes dos meios de comunicação de massa ou a chamada "indústria cultural",dizia. Theodoro W. Adorno escreveu seguramente a mais dura crítica contra a manipulação das massas pelo uso comercial, mercantilista, autoritário das redes de comunicação social existentes numa dada sociedade. Marxista refinado, Adorno levou a crítica da alienação marxiana para a produção dos bens simbólicos e culturais na era capitalismo tardio.A questão deixada como herança teórica e prática pelo pensador frankfurtiano é se seria possível resgatar as virtualidades republicanas e cidadãs do uso lucocionário (comunicativo) dos meios de comunicação numa sociedade de massas, onde naturalmente as clivagens sociais, culturais e econômicas permanecem abertas, e os meios, sem controle nenhum. Foi preciso esperar a obra de um discípulo de Adorno, Jurger Habermas e sua idéia de "uma esfera pública" discursiva, para conferir um acento normativo e ético tanto á política como a informação pública.

  Habermas, como discípulo de Adorno e do Iluminismo filosófico, aproveitou a idealização de Hannah Arendt da democracia ateniense para propor um conceito de "esfera pública" habitada por cidadãos livres e iguais, desprovidos de interesses materiais e preocupados exclusivamente com a busca da verdade através do diálogo e da força da argumentação. O modelo republicano de Arendt recebeu um tratamento discursivo nas mãos de Habermas e resultou num conceito de democracia, por ele denominada, "deliberativo", ou seja produzida pelo uso democrático dos mecanismos de formação da opinião e da vontade do povo.

  Se fosse possível reconciliar a ética com a política nos dias de hoje, amplamente hegemonizado pela dita teoria da escolha racional, seria esse o modelo de uma democracia normativa, apoiada no uso lucocionário e comunicativo das palavras e discursos políticos. Infelizmente, estamos muito longe dessa realidade. E não é só no Brasil, ondeo governo e o partido dominante usam e abusam do manejo retórico e propagandístico de palavras como "fome", "justiça social", "igualdade", "desenvolvimento com inclusão social" etc. Mas na própria Europa ou na comunidade das nações, este ideal de uma democracia cosmopolita animada por cidadãos e cidadãs comunicativos encontra-se muito longe. Haja vista o espetáculo de hipocrisia e dissimulação dos chefes de Estado na Assembléia da ONU, a propósito da invasão do Iraque. Isso sem falar nos nossos governantes domésticos que criticam a prostituição dos costumes políticos republicanos, sem olhar para o seu quintal...

A desindustrialização

Leonardo Guimarães Neto
ECONOMISTA

Foi publicado, neste mês, o relatório de 2003 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento que faz um panorama do processo de acumulação de capital e as mudanças estruturais ocorridas nas últimas décadas. Nesta análise é realizado um balanço das chamadas políticas conservadoras ou neoliberais aplicadas aos países em desenvolvimento, ao longo das décadas de 80 e 90 e, em particular, aos países da América Latina. Os resultados encontrados não foram bons e estavam, evidentemente, muito distantes das promessas apresentadas pelas instituições e economistas que as defendiam.

  O estudo propõe uma nova classificação dos países em desenvolvimento - que denomina de retrato estilizado da diversidade no que se refere ao desenvolvimento industrial - que contempla, em primeiro lugar, os países de industrialização madura (Coréia e Taiwan, por exemplo), em seguida, os de industrialização rápida (China), os de industrialização de enclave (México) e os em processo de desindustrialização (a maioria dos países da América Latina). O Brasil, que foi um dos países mais dinâmicos do mundo no século XX (ver estudo recente do IBGE), está certamente, em razão do seu desempenho nos últimos vinte anos, entre os que integram este último bloco de países.

  O que ocorreu com Brasil pode ser explicado a partir das considerações iniciais do relatório, quando se constata entre os fatores determinantes, de um lado, a crise da dívida externa - que, no caso brasileiro, alcança nossa economia no momento em que, durante o ciclo expansivo que se denominou de "milagre econômico" (1967-73) e no pós-"milagre" (1974-80), as dívidas externa e pública brasileiras tiveram crescimento explosivo - e, de outro lado, o engajamento, com corpo e alma, dos governos na nova forma de conceber as políticas econômicas fundamentadas na ausência do Estado, no domínio completo do mercado que deveria ser desregulamentado e livre das barreiras nacionais. Este último aspecto caracterizou os governos federais (Collor e FHC) na década de 90 e consolidou oprocesso de desindustrialização a que se refere o estudo da ONU.

  Todos se lembram da experiência vivida pelo País no período que vai de 1990 a 2002. Neste fase, simultaneamente com os planos de estabilização (Plano Brasil Novo e Plano Real) - que renovavam as experiências dos planos da década anterior (Cruzado, Bresser, Verão) - havia uma bem definida proposta baseada no ideário liberal e conservador, que, conhecido como o Consenso de Washington, era mercadoria de ampla circulação vendida pelo FMI, Banco Mundial e BID. A abertura da economia nacional, expondo a indústria brasileira a uma extrema competição, contribuiu, decisivamente, para a crise da economia industrial e para o declínio do emprego. Vale aqui lembrar que a indústria nacional passa a concorrer com a industria mundial num momento extremamente desfavorável sobretudo pelo ambiente de contenção de crédito, de seqüestro de ativos financeiros e de juros extremamente altos, práticas que se constituíam, no momento vivido pelo País, os pressupostos do combate à inflação. Sem considerar a fase de valorização da moeda nacional que reduziu, internamento os preços das importações. O desmantelamento de importantes cadeias produtivas que a indústria brasileira havia, a duras penas, constituído nas fases de industrialização, foi a expressão mais evidente dos resultados de tal política.

  O relatório faz referência ao filósofo espanhol George Santayana, quando constata que o fanatismo obriga a redobrar os esforços diante dos fracassos. A experiência do Plano Brasil Novo e do Plano Real confirmou este fato em vários momentos, quando se esticou a corda ao máximo. O fundamentalismo mercantil guarda muita semelhança com outros tipos de fundamentalismo.

2003: um ano sem esperanças

Marcelo Pimentel
EX-MINISTRO DO TRABALHO E ADVOGADO EM BRASÍLIA

Embora uma luzinha acendeu no fundo do túnel da nossa recuperação econômica é terrível a pressão que a cada instante aumenta quanto à queda da produção, a pobreza, o desemprego, a falta de dinheiro, insegurança e a baderna no campo. A recessão é evidente, embora é certo que alguns bancos estrangeiros estejam apontando o Brasil como país para mais segura operação, melhor mesmo que o México.

  O PT chegou ao Governo - talvez até assustado com o êxito eleitoral - sem qualquer programa válido ou maduro de administração, salvo um alentado caderno de improvisações. E, nem se diga que não possui quadros culturalmente muito válidos. Talvez o que ocorre seja uma notória falta de coordenação tanto de objetivos quanto de propósitos, concretizados em um ministério hipertrofiado, desconectado e superposto. Fala-se em mudança. Pelo menos diminuição de pastas para evitar superposição. Já parou o PT para pensar quanto custa esse ministério?

  Parece que o PT só sabe administrar com a bolsa cheia. Porque, mantida a política recessiva da Fazenda - justificável até agora ante a iminente falência do País - não se viu nada que não fosse programas para gastar dinheiro, não reprodutivo. É necessário um programa social que assista a essa massa de irmãos famintos. Mas, programa social não cria empregos e é disto que se carece no momento. E o momento é difícil: não há dinheiro para nada. A herança da política FHC - Malan é perversa e o País vai penar para se recuperar do longo período de inércia.

  Reconhece o presidente Lula que, nestes nove meses não fez nem 1% do que pretendia. Talvez se refira ao "Fome Zero", único programa visível, porque o Primeiro Emprego é ainda miragem.

  O espetáculo de crescimento bandeira de campanha não se concretizou ainda. As estradas esburacadas iriam ser consertadas. A televisão mostrou a assinatura dos atos de recuperação. Mas, logo depois veio o ministro Mantega cortando o orçamento de 2003, inclusive na área de transportes. A arrecadação caiu. Não há dinheiro.

  Não se pode pensar que só fome zero, renda mínima, etc., vão resolver o problema de 1.600.000 desempregados em São Paulo, 20% da população do Rio, 150 mil em Brasília, 350 mil em Belo Horizonte, etc. A política de renda compartilhada pode dar ênfase à socialização do País, mas sem emprego, vamos caminhar para a guerrilha urbana, sucessora dessa insegurança que se vê nas principais capitais do País. O movimento do MST não foi contido ou disciplinado. Se amanhã a ele se juntarem os "Sem Teto", "Sem Emprego", "Sem Carteira" e os outros "Sem", como vamos poder conter a desordem? Com os "Sem Dinheiro" (Polícia Federal), Itamaraty?

  Nós não entramos na recessão a pedido e para sair dela não é fácil, ainda mais quando é notório que o mundo está vivendo problema equivalente. O País tem que lutar para produzir para gerar renda. E se nada de pior acontecer, vamos ficar perto de 2002! Está certo que não se tenha podido fazer mais este ano, porque a situação econômica não permitiu. Mas, a programação deve se revestir de arrojo para enfrentar 2004, porque, embora a tecnologia também tenha ajudado para o desemprego, tanto quanto com a falta de investimentos ou financiamento, não se pode mais perder tempo.

  Resolver o problema do desemprego com a pretensão de que, suprimindo parte da jornada semanal isto ocorrerá, é não conhecer as adversidades que a providência provocou em outros países, como a França, que se empenha agora em retornar ao stato quo ante. A França está lutando, este ano, para não ter resultados econômicos inferiores a 2002. Diminuir jornada sem diminuir salário apenas vai ampliar o custo Brasil e fechar o mercado importador, além de explodir a inflação. Será um terremoto social porque vai realmente aumentar o desemprego. O empreendedor não vai admitir ninguém, porque o custo social é excessivamente alto. Vai apenas incentivar o abuso de hora extra. As horas suprimidas vão ser abonadas como extra e tudo continuaria na mesma, não fosse o aumento de custo de vida que vai ocasionar.

  Alterar a jornada não é nenhum programa criativo. Oito horas da jornada prevista em convenção internacional desde 1920 foi considerada pelos técnicos do mundo inteiro como a carga ideal para o seu ser humano, acrescida, no máximo de duas extras não habituais. No Brasil a hora extra habitual tornou-se prática e o excesso é contumaz, mesmo porque a Justiça insiste em resolvê-las como ilegais, porém não indenizáveis. Afora a intensa campanha internacional do presidente Lula e o barulho das reformas que já estão no Congresso e as que virão por aí não chegaram ainda os programas para revitalizar a economia do País. 2003 será mesmo ano perdido. 2004 poderá sê-lo também, inclusive porque as previsões ainda são de escassês de recursos principalmente externos. Há necessidade de prever para prover.

  O choque com os Estados Unidos em torno da Alca é extremamente perigoso. Já alguém imaginou um embargo econômico contra o Brasil, como represália? O Mercosul é um aglomerado de falidos. As reformas da CLT e Sindical serão fontes de infindável batalha de interesses. Os resultados do segundosemestre sempre são melhores do que do primeiro em razão, fundamentalmente das encomendas do Natal.

  Crescer 0,5% é um risco. A persistir o mesmo para o ano que vem, acabaremos por perder uma geração no crescimento de um país que precisa gerar pelo menos 1.000.000 de vagas-ano para quem vai chegando ao mercado de trabalho, afora a recolocação dos desempregados. Tecnologia é sinal de desemprego, mas um país com a vastidão territorial do Brasil não tem o direito de permitir que o campo se esvasie, porque pode assentar toda a mão de obra disponível.

  Estamos perdendo tempo. Planejar o campo e financiá-lo intensamente é façanha para absorver gente. Não fomentar a discórdia. Há que se distinguir bem o que é direito e o que é abuso ou crime e a autoridade pública deve sempre pensar no munus de que está investido, para não ultrapassar seus limites, que não são seus, mas da ordem jurídica vigente, ao visitar lideranças do MST presas.

e-mail: mpimenteladv@globo.com

Humana sexualidade

Amparo Caridade
PROFESSORA DA Unicap

Do nascimento até a morte, somos instigados a obter satisfação, a ter prazer sexual, e atender ao desejo, que se presentifica em nosso corpo e em nosso imaginário. Nascemos equipados para essa busca. Uma distorção comum, tem levado as pessoas a reduzirem a sexualidade à sua dimensão corpóreo-genital. Esse tipo de equívoco viabilizou um modo de ver e pensar a sexualidade, como se ela fosse apenas uma mecânica dos corpos, uma busca de intensos prazeres e sensações. Em nós, o sexo se diferencia e se faz sexualidade, isto é: humaniza-se, vai além das questões físicas, integra o existencial, o simbólico e o espiritual que também somos. Sem dúvida, o corpo é a base onde a sexualidade se manifesta mais explicitamente. Mas o fato de sermos humanos, significa também, que somos dotados da capacidade de ir além do corpo. Significa que, o biológico não fica indiferente aos apelos do simbólico que permeia o contexto no qual nos construímos.

  Olhando à nossa volta, constatamos que a sexualidade se faz presente para todos,pela ordem do simbólico, do imaginário. Num verdadeiro entrelace, a cultura fica marcada pela sexualidade, como a sexualidade fica também fortemente marcada pela cultura. As questões de gênero, do amor, do afeto, do vínculo, da literatura, da arte, chegam até nós, atravessadas pela sexualidade. O outro que buscamos, está presente numa conjuntura cultural, e dela recebe luz, do mesmo modo que um texto se ilumina em seu contexto. Deparamo-nos portanto, com uma erótica cultural, que nos afeta a todos. Considerar assim as coisas, promove em nós, no mínimo, um modo menos simplista de pensar o sexual que somos.

  Deparamo-nos hoje, com um verdadeiro império das sensações. A moçada chega a usar o Viagra e produtos similares, para viver a orgia, a compulsão do sentir. Mas esse tipo de imposição, em muitas situações, age contra a felicidade das pessoas, porque empobrece a experiência sexual humana, que é vocacionada a ser sensível, amorosa e significativa. Uma mostra excessiva dos corpos e dos discursos sobre o sexo,nos faz remeter a sexualidade para esse registro da periferia do corpo, quase sem referência ao cultural, ao relacional, ao outro em seu valor. Gosto de lembrar, que a vida sexual adulta, é expressão daquilo que conseguimos ser como pessoas, não apenas como corpos. Somos na cama como somos na vida. Vazios, sensíveis, arrebatadores ou medíocres. Expressamos "debaixo dos lençóis" o que alicerçamos de sustentável ou de frágil, em nossa própria construção. Somos seres sexuais, não apenas corpos sexuais.

  O outro deve ganhar importância para nós, não apenas enquanto corpo que satisfaz, mas sobretudo enquanto alteridade, ele em si mesmo, valor de existência e parceria. Nessa interação, é preciso cuidado com o que fazemos a nós mesmos e ao outro, na vida e no sexo. Muitas vezes queremos que ele dê conta de nosso desejo, de nossa ânsia de completude, de nossa fome de infinito. Queremos que ele seja um "par perfeito", capaz de tamponar o vazio que há em nós. Vazio que é uma espécie de buraco no ser, que ninguém podepreencher. Por isso, as expectativas mantidas em relação ao outro, podem ser excessivas e ilusórias. No real da convivência amorosa, tudo pode ser, ora maravilhoso, ora frustrante. Assim é a vida, a existência, a sexualidade, a música, o universo, as pessoas em relação: "Não a autocracia de uma única melodia teimosa de um lado. Nem a anarquia de ruídos não testados do outro. Não; um delicado equilíbrio entre ambos; uma liberdade iluminada", dizia Bach. O maravilhoso que se busca, esconde-se nas pequenas coisas , nos gestos amorosos mais simples, nos cuidados relacionais que desenvolvemos. Nosso olhar interno, plasma o extraordinário com o qual sonhamos, e que muitas vezes cobramos que o outro nos promova.

  É um olhar assim ampliado, sensível e comprometido que queremos oferecer, ao abrir um Curso de Especialização em Sexualidade, na Unicap. Um olhar que contemple tanto as potencialidades de gozo, como de dores que o sexual é capaz de provocar em nós. Esse tipo de reflexão serve tanto à condição de se vivermelhor a própria sexualidade, como de se lidar mais satisfatoriamente com questões sexuais na família, na escola, na clínica, no social, nas instituições. Não há nisso, porém, nenhuma promessa de respostas a todas as questões. Mas se alguém deseja somar conosco nessas reflexões, as inscrições para o curso estarão abertas, até o dia 24 deste mês. Em prol de uma humana sexualidade. Sejam bemvindos (as).








 

 
 
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