COPOM
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ontem que espera uma redução da taxa Selic. O mercado também dá como certa a redução dos juros básicos, o que será definido na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começa hoje e termina amanhã. "A decisão que cabe ao Governo é estabelecer metas. E o Governo já tomou essa decisão na meta de inflação do ano que vem", afirmou o ministro, referindo-se à política de redução dos juros.
Palocci ressaltou que na medida em que o comportamento dos indicadores for favorável, os juros cairão naturalmente, e destacou que a decisão de redução dos juros é técnica e de responsabilidade do Copom. "Vamos trabalhar para que ao longo do tempo o Brasil tenha juros menores", disse o ministro. "Este ano tudo evoluiu de maneira favorável para que os juros pudessem cair e o Brasil iniciar um processo de crescimento econômico", disse o ministro.
MERCADO - A taxa Selic está em 20% ao ano. A aposta predominante entre os analistas é de um corte de 1 ponto porcentual, embora uma ala de economistas acredite em queda de 1,5 ponto.
O comportamento tranqüilo da inflação, o câmbio abaixo de R$ 2,90 e o recuo do risco País nas últimas semanas, para a casa de 600 pontos, justificam as previsões de que a Selic cairá pela quinta vez seguida. O fato de a atividade econômica mostrar alguns sinais de recuperação e de os juros terem caído 6,5 pontos porcentuais de junho para cá levam a maior parte dos analistas a jogar suas fichas num corte de 1 ponto.
O economista-chefe do ABN Amro Bank, Mário Mesquita, é um dos que defendem uma redução mais modesta, de 1 ponto. Para justificar um corte um pouco mais conservador, ele diz que há sinais de retomada da atividade econômica e que seria prudente esperar um pouco o impacto sobre a economia de medidas de estímulo ao crédito anunciadas ao longo dos últimos meses, como os empréstimos com desconto em folha de pagamento.