Edição de Segunda-Feira, 20 de Outubro de 2003
 

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Amostragem pernambucana

Foram divulgados os números da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alusivos ao ano anterior, 2002. Nela, há números por assim dizer sociais que nos parecem preocupantes e estatísticas que induzem na melhoria dos nossos padrões gerais de sobrevivência. Afinal, Pernambuco se encontra inserido no âmago de uma região social e economicamente definida como "pobre", acaso não queiramos utilizar o eufemismo que é tachá-la de "emergente".

  A pesquisa mostrou, em suma, que aproximadamente 95% dos domicílios pernambucanos dispõem de fogão para a cozedura dos alimentos. Cerca de 85% deles contam com aparelho de televisão para o acompanhamento de novelas e a assistência aos demais espetáculos próprios do lazer, a exemplo dos esportes populares. A geladeira chegou a 73% dos lares pernambucanos. 97% dos nossos domicílios dispõem, hoje, de energia elétrica, quase a totalidade desse universo. A água encanada está presente em quase 75% das residências pernambucanas.

  Mas há o reverso da medalha que acentua o estágio social em que nos encontramos. Um quarto da população economicamente ativa, ou 25%, percebe apenas o equivalente a um salário mínimo por mês. Na prática, o restante dessa mão-de-obra ativa ganha até cinco salários mínimos por mês, o que é muito pouco. O relativo excesso da oferta da mão-de-obra sobre a respectiva procura tem deprimido de tal sorte as remunerações no Estado que a média tem recuado para baixo, empobrecendo o Estado como um todo. Temos, hoje, a 15ª renda per capta do país num bloco de 27 Estados federados. Os trabalhadores com carteira assinada e, via de conseqüência, com os direitos trabalhistas reconhecidos, totalizam menos de 50% da mão-de-obra economicamente ativa (exatamente, 48,2%). No quadro das mazelas identificadas pelos números do IBGE, ressaltam estes dois últimos: apenas 64,55% dos domicílios, em 2002, eram atendidos pelo serviço de coleta do lixo e só 36% deles, no mesmo exercício, contavam com o esgotamento sanitárioadequado. Ambos os aspectos batem com grande impacto no grau de sanidade coletiva e, por dependência, com a taxa média da produtividade da mão-de-obra.

  A distribuição de renda no Estado vê-se estagnada. No início dos anos 90, Pernambuco era havido como o terceiro pior Estado na matéria distributiva, e agora é o quarto.

  A comparação entre os indicadores favoráveis e os seus contrários mostra quanto nos falta fazer em Pernambuco para que possamos sair do rol das populações emergentes para as de melhor sorte. A educação - grande motor do desenvolvimento - é a grande chave. Numa situação como a desenhada pelo PNAD para o nosso Estado, é necessário que se redobre o vigor das campanhas educacionais. Se a educação e a instrução no Estado não forem melhores, qualitativamente, que as praticadas nas províncias mais ricas do país, teremos andado pouco ou desenvolvido menos do que o desejável o nosso potencial de crescimento.

  Na medida em que todos os Estados fazem o seu esforço peculiar, cabe-nos exceder na obstinação pelo desenvolvimento as nossas necessárias escaladas. Há, como vimos, muito espaço para ações ainda mais aguerridas.








 

 
 
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