ESQUIZOFRENIA
Tatiana Meira
Da equipe do DIARIO
O cérebro ainda é um dos territórios mais desconhecidos pela ciência. Os estudos avançaram muito nos últimos anos, mas pouco se sabe, por exemplo, a respeito das causas de doenças como a esquizofrenia, o mal de Alzheimer e a depressão. As pesquisas nesta área vêm crescendo tanto que, até 2010, a tendência é que os males relacionados ao Sistema Nervoso Central sejam mais importantes para os pesquisadores que as doenças cardiovasculares.
Quando se fala em esquizofrenia, por exemplo, a novidade no tratamento desta doença crônica são os remédios chamados de terceira geração, que ocasionam menos efeitos colaterais para os pacientes. Eles estão sendo lançados para substituir, ou mesmo, coexistir com remédios como o haloperidol, a droga padrão para tratamento deste mal na década de 1990. Entre estas substâncias está o aripiprazol, que busca reequilibrar o funcionamento do cérebro. Não se sabe ao certo as causas da esquizofrenia, mas acredita-se que o acontecimento do primeiro surto esteja ligado a fatores hereditários e ambientais.
As estruturas cerebrais - ou neurotransmissores - passam a não funcionar direito, havendo um desequilíbrio químico de pelo menos duas substâncias principais: a dopamina e a serotonina, nos lóbulos frontal e temporal. Estas substâncias ajudam a pessoa a fazer atividades básicas da vida cotidiana. Sem seu pleno funcionamento, preparar uma simples xícara de café ou memorizar nomes torna-se praticamente impossível. Elas também embaçam a percepção das emoções, trazendo desconforto e confusão mental ao doente.
Se as drogas de segunda geração atuavam bloqueando a ação destas substâncias para que elas não penetrassem nas moléculas dos neurotransmissores, os remédios como o aripiprazol agem de forma diferente. Eles regulam o funcionamento do cérebro, permitindo que as moléculas se reequilibrem e causando menos efeitos secundários, como tremores, aumento de peso, diminuição do apetite sexual.
Vendido nos EUA desde o final do ano passado, o aripiprazol só começou a ser comercializado no Brasilhá cinco meses. É utilizado por laboratórios como componente de remédios como o Abilify, lançado pela empresa norte-americana Bristol-Myers Squibb.
Segundo a pesquisadora Sophia Frangou, do Instituto de Psquiatria da Inglaterra, os remédios representam um grande avanço no tratamento, embora seja necessário esperar por um prazo de dois a cinco anos para saber se a droga é a melhor solução.
As novidades foram divulgadas na República Tcheca, em setembro, no 16º Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia.