Edição de Quarta-Feira, 15 de Outubro de 2003
 
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Tecnologia como diferencial na escola

Metodologia e espaço físico já não são os únicos itens a serem analisados na hora de fazer a matrícula

Lúcia Guimarães
DA EQUIPE DO DIARIO

Na reta final do ano letivo, é chegada a hora de pensar na escola que vai receber seu filho em 2004. Saiba que a maioria dos papais mais exigentes e participativos já não se contentam apenas em conhecer a metodologia pedagógica e o espaço físico da unidade. Claro que esses são fundamentais e merecem total atenção na escolha, no entanto, alguns itens hoje já fazem toda a diferença e muitas vezes são decisivos para fazer a opção na hora da matrícula. O quesito tecnologia é um deles. "Tratar a informática como algo distante é ponto certo para eliminar a escola da pesquisa", dispara Luciano Meira, consultor de educação e multimídia do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e professor do departamento de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

  Segundo o consultor, na hora de fazer a escolha da escola do filho(a) os pais devem estar atentos à forma como a informática é abordada. "Não basta ter um laboratório, mas um projeto de uso para conseguir o diferencial", ensina Meira. Abolir o laboratório e inserir os computadores nas salas de aula para que, efetivamente, a máquina pudesse ser usada como mais uma ferramenta de aprendizagem seria o ideal quando o assunto é informática, de acordo com Meira. Outro detalhe que deve ser conferido é o número de máquinas para a quantidade de alunos nesses laboratórios.

  Na pesquisa, verifique se o item informática/tecnologia não está servindo apenas para marketing. "Não basta ter máquinas. É preciso investir em proporções ainda maiores em softwares e na capacitação dos professores", reforça Luciano Meira. Apesar de ainda não existir uma proposta ideal, há peculiaridades que devem ser levadas em conta na escolha. Cada escola trabalha com a tecnologia dentro da sua proposta pedagógica e isso deve ser considerado. "Na pesquisa não se deve perguntar se a escola tem laboratórios, se tem computador. Pergunte sempre em relação ao nível de conhecimento dos professores", sugere.

REALIDADE - No Recife, a maioria das escolas já trabalha com informática como ferramenta de aprendizagem. Quanto mais unidades forem pesquisadas melhor será sua escolha. A Associação Educacional sem fins lucrativos Arco-Íris, na Várzea, é uma das escolas que primam pelo assunto. Há 24 anos no mercado, a Arco-Íris segue uma proposta construtivista, focada em temas que estimulem a cidadania e a visão crítica. "A informática está inserida nos projetos de sala de aula e a capacitação é algo que buscamos sempre", conta a coordenadora pedagógica Vera Acioli. Para ela, a tecnologia serve para incrementar o interesse dos alunos, incentivar a pesquisa e tornar as aulas mais atrativas. O laboratório é um apoio com dez máquinas e acesso livre à internet.

  No Colégio Boa Viagem, o aluno é incentivado a protagonizar. "Não vemos a informática como a tábua de salvação, mas um instrumento para incrementar a investigação, a pesquisa", esclarece a diretora pedagógica Maria Aparecida da Costa. O Boa Viagem trabalha com informática há nove anos, tem quatro laboratórios, com mais de 150 máquinas ao todo. A informática também está presente nos laboratórios de química, na biblioteca e em outros setores.

ESTÍMULO - E o poder da informática na educação é muito maior do que muita gente pensa. Na Baby Mel, por exemplo, apesar de só trabalhar com crianças até a alfabetização, a informática é um recurso que merece toda a atenção. Na escola, no Parnamirim, a tecnologia é um viés forte que ajuda a reforçar a proposta socioconstrutivista. "Apostamos na cidadania, na sociabilização das crianças e, além disso, percebemos aqui que a informática tem um papel muito importante junto às crianças especiais", relata Lidia Lorêto, diretora pedagógica. Eles trabalham com dois alunos em uma máquina para aprimorar a relação entre as crianças. "Elas precisam saber quando parar e dar o lugar ao colega, trocar informações e interagir com os outros", diz Lidia. Lá, crianças a partir dos três anos já podem usufruir os PCs.

  No Centro Escolar Carochinha, em Casa Forte, o ideal de muitos especialistas parece que aos poucos vem se tornando realidade. Além de a informática poder fazer parte de todas as matérias, a escola colocou nas 7ª e 8ª séries computadores e televisores em sala de aula. "Apostamos nesses equipamentos como ferramentas de aprendizagem e queremos ampliar esse acesso direto nas salas já a partir de 2004", enfatiza a diretora Cristiana Maria Ledebour. No laboratório, há outras 18 máquinas que são usadas sempre por dois alunos de cada vez, a partir dos seis anos. A escola tem uma parceria com uma empresa que desenvolveu um CD interativo, que permite a inclusão da matéria escolhida para ser trabalhada em sala de aula.

  Outra que prima pelo assunto é a Exponente, no Parnamirim. Há 16 anos no mercado, a escola adotou a informática há quatro. "Todos têm acesso à tecnologia, seja no laboratório, seja nas matérias da grade em forma de softwares", diz a supervisora Carolina Cardoso, ressaltando que agora os alunos estão tendo contato com escolas de outros países para trocar conteúdos. O Instituto Helena Lubienska, na Torre, também incluiu ainformática como apoio de todas as matérias. "Os professores estão aptos a diversificarem sua aula com o uso da tecnologia", informa a diretora pedagógica Cândida Galvão. Já na educação infantil os alunos podem freqüentar o laboratório, com cerca de 15 máquinas de acesso à web.

lguimaraes@dpnet.com.br


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