Edição de Quarta-Feira, 1 de Outubro de 2003
 
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Benjamin estava melhor na literatura

Festival

Luciana Veras
ENVIADA ESPECIAL

RIO DE JANEIRO - Em sua premissa, a Premi×re Brasil se propõe a mais importante mostra do Festival do Rio 2003. Para os realizadores nacionais, isto é fato: são diversos filmes que do Rio migrarão para os próximos festivais, que terão suas estratégias de lançamento (re) pensadas a partir da repercussão obtida nas sessões no Odeon BR e que ainda poderão sair com a consagração dos votos do público ou do júri presidido por Carlos Diegues.

  Benjamin, exibido no horário nobre do Odeon anteontem, disputa com Narradores de Javé, de Eliane Caffé; As Alegres Comadres, de Leila Hipólito; Garrincha - A Estrela Solitária, de Milton Alencar Jr.; Viva Voz, de Paulo Morelli; e 1,99 - Supermercado que Vende Palavras, de Marcelo Masagão. Trata-se da adaptação cinematográfica do romance de Chico Buarque publicado em 1995, dirigida por Monique Gardenberg, baiana que se destacou por produzir o Free Jazz e já dirigiu o longa Jenipapo.

  O enredo é alicerçado em dois tempos: o real, na vida de um velho Benjamin Zambraia (PauloJosé), modelo fotográfico de sucesso na década de 1960 e agora um homem em constante duelo com as reminiscências do passado; e o tempo de sua imaginação, que o remete a sua juventude e ao seu amor por Castana Beatriz (Cléo Pires), cuja imagem, aparência e capacidade de sedução ele reencontra em Ariela (também Cléo), uma funcionária de corretora de seguros de passado turbulento e presente amarrado a um marido, o policial Jeovan (Guilherme Leme), inválido.

  Para que uma narrativa dividida em duas chaves cumpra seu propósito de narrar uma história e ainda fuja às fórmulas clichês de cruzamento da memória, seria preciso mais do que Benjamin oferece. As inserções são óbvias; não surpreendem o espectador, em especial o que se recorda do ritmo impetuoso e da torrente de palavras da obra literária. Deflagram, assim, a insuficiência do roteiro, escrito por Monique, Jorge Furtado e Glênio Povoas. O intrigante da trama, que é Benjamin e suas lembranças, se espalha por personagens mal esboçados (o político Alyandro interpretado por Chico Diaz, o dr. Cantagalo, de Nelson Xavier), e assim se desperdiça.

  Se há tal fragilidade na composição dos personagens, existe a presença cênica de Paulo José e a surpresa que é Cléo, que impressiona pela capacidade de se transformar em duas e ganha a confiança da platéia (fator importante, pois seus papéis são vitais). No entanto, Benjamin possui um cuidado estético (fotografia de Marcelo Durst, trilha sonora de Chico Neves e Arnaldo Antunes, com faixas do Gotan Project) que não se ignora e uma honestidade que o faz ser analisado com relevância.

A jornalista viajou a convite da TAM.








 

 
 
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