Revisão deve reduzir ou subir valor do produto, de acordo com o mercado
Os preços da gasolina e óleo diesel poderão ter seus preços reajustados (para cima ou para baixo) mensalmente. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Rogério Manso, declarou ontem que a política adotada para os combustíveis industriais pode se estender aos usados no varejo. Hoje, produtos como o querosene de aviação (QAV) e a nafta têm os preços corrigidos a cada início de mês, conforme a variação registrada no mercado internacional.
Segundo Rogério Manso, é uma tendência natural que essa mudança ocorra, na medida em que o mercado amadureça. Para o gerente de Vendas para o Nordeste da Ipiranga, Paulo Edilson Dutra, trata-se de uma atitude que funciona muito bem na teoria. "Dá certo quando são adotados estritamente critérios técnicos", comentou. O diretor da Dislub, Humberto Carrilho, tem opinião semelhante a de Paulo Dutra.
Tecnicamente, disse Carrilho, seria a melhor opção a ser adotada pela Petrobras para corrigir os valores da gasolina e do diesel. "Seria muito bom para o consumidor, porque ele veriao reflexo da situação do mercado", afirmou. Tanto Carrilho quanto Dutra fizeram questão de afirmar que os benefícios para a população viriam apenas se as questões políticas fossem deixadas de lado.
Em abril, por exemplo, o Governo retardou o anúncio de redução nos preços da gasolina para garantir que a Petrobras revertesse o prejuízo sofrido enquanto bancou preços mais baixos que os internacionais, durante a Guerra no Iraque. Por mais de um mês, os valores praticados no País para os combustíveis foram superiores aos encontrados no Exterior.
No final de 2002, ocorreu o contrário. O Governo pediu para que a Petrobras segurasse o aumento dos preços durante as semanas que precederam as eleições presidenciais. Não queria prejudicar a imagem do candidato da situação. Pior para as chamadas distribuidoras emergentes. Por conta da disparidade entre os preços internos e externos, as companhias - que através de suas trades vinham importando gasolina e diesel - tiveram de suspender os negócios no Exterior.
Paulo Edilson Dutra, da Ipiranga, lembrou também que antes de o Governo pensar em mudanças deveria reestruturar o mercado nacional de combustíveis. "Existem muitas questões que precisam ser resolvidas. A CPI que está em operação no Congresso vêm mostrando isso. O consumidor sempre fica com a pulga atrás da orelha quando ouve falar em mudanças nos preços", afirmou o gerente de Vendas.
Motivos não faltam, como sempre fazem questão de declarar os representantes do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). Eles calculam que o querosene - que representa 35% dos custos das companhia - foi o campeão dos reajustes de preços dos combustíveis em 2002, com uma a alta acumulada de aproximadamente 160%.