CASO CHANG
RIO - O delegado Victor Poubel, que presidiu o inquérito da Polícia Federal sobre a morte do chinês Chan Kim Chang, acredita que outros internos do presídio Ary Franco possam estar correndo risco por terem denunciado agentes. Ontem, o preso Fabiano de Oliveira Costa, supostamente agredido na penitenciária por ter revelado que viu Chang ser espancado, foi transferido para a Superintendência da PF em Brasília.
Poubel não quis informar quais nem quantos são os internos que estariam sendo ameaçados, mas disse que ouviu pelo menos dez internos durante o inquérito, finalizado na semana passada e encaminhado ao Ministério Público Federal. O delegado concluiu que o chinês foi espancado e torturado. Doze pessoas, entre detentos e guardas penitenciários, foram indiciadas.
Poubel disse que poderá abrir um novo inquérito para apurar a suposta violência contra Costa. As marcas no pescoço e no rosto do preso indicam, de acordo com o delegado, que ele foi agredido. Costa, que havia sido transferido do Ary Franco paraa carceragem da PF no Rio na segunda-feira, por determinação da Vara de Execuções Penais, foi levado para Brasília às 16h de ontem.
Costa, que participou da reconstituição do caso Chang, entre a sexta-feira e o sábado passado, foi encontrado com marcas de possíveis agressões no domingo. Afirmou que presos de uma outra galeria haviam batido nele, por causa de suas declarações sobre o caso Chang. Ele acusou um agente penitenciário e três presos de espancarem o chinês até deixá-lo inconsciente e disse que mentira antes porque tinha medo de represálias.