(Atualizado no dia 29/09/2003)
 
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Pernambuco quer sua marca na moda

Governo promete investimentos na cadeia têxtil, com isenção fiscal para as confecções e instalação de uma escola de fashion design, entre outros

Phelipe Rodrigues
Da equipe do DIARIO

Em 2003, você deve ter acompanhado, aqui no ViverMulher, a intensa movimentação da moda em Pernambuco para ganhar maior visibilidade no País, com desfiles, palestras e até exposição sobre o tema. Acontece que além do glamour dos eventos, para a roupa vestida ou vendida aqui projetar uma imagem de alto conceito dentro e fora da Moritzesrad, é necessária uma boa azeitada na nossa máquina de costura. O Governo do Estado e entidades ligadas ao setor já perceberam essa necessidade e, como consequência, começam a vigorar nesta semana medidas para que o fashion feito na terra seja reconhecido pela qualidade, e não apenas pelo preço mínimo proporcionado pela informalidade das empresas.

  Segundo o Sindicato das Indústrias do Vestuário (Sindivest), os informais somam quase 92% do Pólo Confeccionista do Agreste (Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru). "Essa realidade proporciona baixo custo de produção, mas não há compromisso com a formação de uma marca. E sem ela, não há moda. Então, nossa proposta é usar outropaís como um guia: a Itália, que conta com estratégia de marketing, design e valor agregado das peças", explica o presidente da Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (Ad-Diper), Kléber Dantas.

  Para alcançar esse objetivo, uma das principais ações oficiais foi tomada na última quinta-feira. "Assembléia Legislativa votou por unanimidade a lei estadual que dá até 75% de desconto no ICMS às confecções que trabalham no Estado. Com essa redução nos impostos, vamos conseguir reduzir a sonegação e melhorar a produção", festeja o diretor do Sindivest, Frederico Queiroz. Ele lembra que há dois meses o governador Jarbas Vasconcelos prometeu investir na cadeia têxtil e já ofereceu, além da nova taxação, outras reformas.

  A Secretaria de Ciência e Tecnologia vai usar Toritama como modelo de ambiente integrado, que será adotado em outras cidades. "O secretário de Desenvolvimento Econômico, Alexandre Valença, vai oferecer apoio para a participação de feiras nacionais e estrangeiras e produção de desfiles", anuncia Queiroz. A instalação de uma escola de fashion designer na área de Armazéns do Porto, no Recife Antigo, é o complemento que o presidente da Ad-Diper diz ser básico para o grande déficit da cadeia, a qualificação profissional.

  "Uma das parcerias para o funcionamento da escola vem do Porto Digital, que ajuda a agregar uma bandeira de tecnologia à da cultura, que já faz parte do nosso imaginário", adianta Kléber. Para viabilizar a construção da escola, os investimentos devem vir do Banco Mundial. "A instituição vai liberar cerca de US$ 15 milhões em investimentos nos cinco setores fundamentais para o PIB de Pernambuco. Entre eles, o de confecções", completa.

  Se for concretizada, a unidade de ensino de moda do Estado, será um grande feito. Porque uma das lacunas do Estado é gente capacitada para gerir as fábricas e fiscalizar a qualidade. "Isso faz nosso trabalho perder espaço. Inclusive o das pessoas que trabalham com as rendas e outras técnicas manuais, que vendem nossos artigos a custo mínimo e os repassambem caro, com grife", critica a empresária Lúcia Barreto, diretora da Indústria Brasileira de Confecções (IBC) e autora do projeto Artesanato Pernambucano a Serviço da Moda.








 

 
 
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