Edição de Terça-Feira, 30 de Setembro de 2003
 
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Elia Kazan morre em Nova York

Cineasta turco deixou herança também no teatro e na literatura

SÃO PAULO - O cineasta e diretor de teatro turco, radicado nos EUA, Elia Kazan morreu no último domingo, aos 94 anos. Ele estava em sua casa em Nova York, segundo sua advogada, Floria Lasky, que não revelou as causas da morte.

  Célebre por filmes como Sindicato de Ladrões - que levou os Oscar de melhor filme e diretor em 1954 -, Kazan ajudou, com suas montagens, autores de cinco peças de teatro a conquistar o prêmio Pulitzer. Entre elas estão Um Bonde Chamado Desejo, A Morte do Caixeiro Viajante e Gata em Teto de Zinco Quente.

  Em Hollywood, além do Oscar por Sindicato de Ladrões, ele recebeu a premiação por ter dirigido A Luz É para Todos (1947). Além disso, assinou a direção de outros clássicos como a versão cinematográfica de Um Bonde Chamado Desejo (traduzida no Brasil para Uma Rua Chamada Pecado, 1951), Vidas Amargas (1955) e Viva Zapata! (1952).

  Elia foi de fundamental importância para a carreira de vários artistas de Hollywood. Entre os mais célebres, Marlon Brando (que estrelou em Uma Rua ChamadaPecado e Sindicato de Ladrões), Paul Newman e Elizabeth Taylor, estes dois últimos em célebre dueto em Gata em Teto de Zinco Quente.

  Além das atuações no cinema e teatro, Kazan passou a escrever após completar 50 anos. Foram vários romances e uma autobiografia. Duas de suas novelas viraram filmes dirigidos por ele mesmo, América, América (1963) e Movidos pelo Ódio (1969). Além da dedicação à arte, o diretor é lembrado por ter denunciado, ao Comitê de Atividades Antiamericanas do Senado, oito companheiros do Grupo de Teatro que, como ele, tinham pertencido ao Partido Comunista, em meados dos anos 30. A delação aconteceu no dia 10 de abril de 1952. Por este fato, até o final da vida, sofreu represália do meio cultural. A maior evidência aconteceu no ano de 2001, quando recebeu da Academia de Cinema um Oscar pelo conjunto de sua obra. Muitos se recusaram a aplaudir Elia Kasan.








 

 
 
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