Edição de Terça-Feira, 30 de Setembro de 2003
 
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Sofia Coppola ratifica talento de diretora

Encontros e Desencontros, segundo longa-metragem de Sofia Coppola e um dos estandartes da programação do Rio 2003, dissipa quaisquer dúvidas sobre a competência da filha de Francis Ford Coppola que algum insano tenha alimentado desde As Virgens Suicidas, sua estréia em 2000. Por meio de dois estranhos, americanos sitiados por motivos distintos , em Tóquio, ergue-se uma trama que fala de incomunicabilidade, solidão e elos. Charlotte (Scarlett Johasson, de O Homem que Não Estava Lá) acompanha o marido John (Giovani Ribisi) numa viagem de trabalho ao Japão, onde ele, fotógrafo consumido e obcecado pelo trabalho, registrará uma banda. Bob Harris (Bill Murray) é um ator renomado que, seduzido por um cheque de US$ 2 milhões, segue para a terra do Sol Nascente a fim de gravar um comercial de uísque.

  Seus olhares se cruzam pela primeira vez no elevador, porém ela não percebe. Da segunda vez, estão no bar do hotel, já se sentem estrangeiros em meio à parafernália, aos edifícios altos e ao idioma indecifrável, ese identificam. Assim como não gasta fotogramas para explicar de onde vieram, Sofia Coppola acerta no alvo ao mostrar como aqueles dois seres, solitários ao seu modo, acham uma forma de construir uma relação de afeto. Tudo que é dito em Encontros e Desencontros possui igual peso ao não-dito, ao capturado em olhares, em pequenas atitudes que confrontam Charlotte e Bob às singularidades da metrópole nipônica.

  Sofia Coppola é especialista nas sutilezas. É dona de uma sensibilidade aguçada que a faz criar personagens um tanto quanto errantes e liberá-los para caminhos léguas além das soluções banais ou de dilemas morais. No final, quando irrompe Just Like Honey, do The Jesus & Mary Chain, aperta-se o coração, abre-se um sorriso e se lamenta que Encontros e Desencontros, exemplo de que existe vida inteligente no cinema americano, tenha alcançado o fim.


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