"Cansei de encontrar com as pessoas que atiraram em mim. Sempre que elas me viam riam muito, pois fiquei deficiente de uma perna e perdi um rim após ser baleado", contou Flávio Manoel dos Santos ao DIARIO, no último dia 10. A matéria foi publicada no domingo 14/09, dois dias antes da relatora da ONU chegar ao Brasil. Segundo Flávio, os homens que atiraram nele foram José Inácio da Silva, que morreu no ano passado, e o ex-policial civil Renan Virgolino, que cumpre prisão preventiva na Paraíba, acusado de outros assassinatos.
Flávio garantiu que três pessoas viram o crime, cometido no dia 19 de maio, pouco antes das 18h. "Eles chegaram e perguntaram 'Você é o Chupeta?', respondi que sim e começaram a atirar", lembrou. Foram feitos seis disparos contra o agricultor, um deles passou de raspão pela testa. Flávio acreditava que tinha sido ferido por ter o mesmo apelido que um assaltante local.
Flávio contou que sofria ameças, por isso tentava entrar no Programa de Proteção às Testemunhas. O trabalhador ruraltemia morrer porque tinha visto quem eram os agressores e sabia que boa parte do grupo de extermínio continuava impune. Por ter ficado deficiente de uma perna ele não conseguia mais emprego no corte da cana e, há dois anos, tentava uma aposentadoria especial. "Por enquanto nem me aposentei e não tenho proteção, espero que esta visita (da relatora da ONU) mude alguma coisa", disse.