Edição de Domingo, 28 de Setembro de 2003
 
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Discos ao gosto (e bolso) do freguês

Máquina de CDs, em fase de análise para financiamento oficial, promete aquecer mercado fonográfico

Imaginem a situação: você escutou uma música no rádio ou numa novela e gostou muito. Quando foi na loja para comprar o CD, não curtiu as demais canções do álbum. Pra não gastar os 20 e tantos reais no disco, pra onde você corre? Bem, pode ligar o computador e baixar a música em MP3; pode ir ao camelô de CDs piratas e comprar a cópia do disco por R$ 5,00; ou ainda se contentar em ouvir a música apenas no rádio. Ah, você também pode correr para a máquina de CDs e gravar a música, legalmente, por apenas R$ 2,00. Máquina de CDs? E isso existe? Pois é, a invenção, saída da caixola de um engenheiro eletrônico paulista, radicado em Campo Grande (MS), Nelson Martins, tem o aval do Ministério da Cultura.

  Polêmica e com muitos entusiastas - como o cantor Lobão, que fez a ponte entre Nelson e o Ministro Gilberto Gil - o projeto da máquina de CDs, a Personal Compact Disk Machine (PCDM) já está, inclusive, nas mãos da superintendente da Agência Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Lúcia Viegas, que vê com bons olhos a iniciativa. "É um projeto que causa entusiasmo, mas ainda está em análise para financiamento", diz Viegas.

  Já o MinC, espera uma posição da Finep para começar a articular a instalação das máquinas, de acordo com o diretor de fomento do ministério, Sérgio Xavier, segundo quem a invenção foi bem vinda, empolgando, inclusive, o próprio ministro, que levou pessoalmente a idéia à finep. "A máquina de CDs está dentro do contexto da política que estamos discutindo. A indústria fonográfica é um setor importante, que precisa ser fortalecido. Apoiamos projetos que aqueçam o mercado cultural", assegura xavier.

  Reuniões entre a Finep e o MinC vêm sendo realizadas desde agosto, quando a máquina foi apresentada aos órgãos financiadores. "Não dependemos apenas dos órgãos e instituições governamentais. Estamos fazendo parcerias com empresas privadas", reforça Nelson, sem entrar em maiores detalhes. Tantas articulações parecem necessárias diante de um projeto dispendioso. "Como não dá para colocarmos no mercadoapenas uma máquina, precisamos de um investimento inicial de R$ 600 milhões, para 20 mil máquinas espalhadas por todo Brasil", calcula o inventor.

  OPERAÇÃO - A engenhoca tem 2,20 X 2,0 metros e um funcionamento, teoricamente simples. Semelhante aos caixas eletrônicos, elas seriam instaladas em locais públicos e, com um cartão magnético (tipo os que são usados em orelhões), com 30 créditos, adquirido previamente, o comprador poderia escolher suas músicas preferidas. "Os preços seriam determinados pelos músicos ou pela gravadora que distribui o disco", diz Nelson, completando que a máquina ainda emite o disco embalado com a capa imprensa. A capacidade inicial da máquina é de 34 mil fonogramas e contém ainda um monitor de 32 polegadas, onde o artista poderá veicular videoclipes e propagandas televisivas.

  O invento diz que a idéia da PCDM existe há uns seis anos, mas ele teve que esperar os avanços da tecnologia para apresentá-lo ao mundo. "Além dos gravadores de CDs na época serem muito lentas, os hard disks (HD) eram pequenos. Hoje você já grava na velocidade que vai ouvir, com 52X", explica. Empolgado, Nelson não pára de citar vantagens, como a rapidez da máquina. "Á medida que você escolhe uma música, a máquina já vai gravando, sem perda de tempo. Por fim, você gasta menos de quatro minutos. Numa loja, para comprar um disco, gasta-se no mínimo quinze", enfatiza.

  A máquina dá oportunidade ao comprador de consumir uma música apenas. O projeto prevê preços entre R$ 0,50 (para músicas de catálogo) e R$ 2,00 (para lançamentos). Martins diz que o projeto pretende cumprir todas as normas legais, isto é, direitos autorais garantidos para compositores, intérpretes e produtores fonográficos - com vendas creditadas imediatamente, mais inclusão de impostos. "Caso o artista queira consultar as vendas, basta acessar o site na Internet, onde todas as informações estarão disponíveis aos associados", argumenta Martins.


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