Edição de Domingo, 28 de Setembro de 2003
 
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Vida Urbana

Inglesa investiga paradeiro do pai

Carmem Einfinger perdeu o contato quando era criança, mas, aos 53 anos, ainda têm esperança de revê-lo

Júlia Kachoviz
Especial para o DIARIO

"Você é a filha do pintor Frank Einfinger que mora no Recife, Brasil?" Há três meses a inglesa Carmen Einfinger, que mora em Nova Iorque, recebeu essa pergunta por e-mail de um desconhecido e ficou perplexa. Aos três anos ela foi morar no Rio de Janeiro com sua família, mas seus pais se separaram um ano depois e ela perdeu o contato com Frank. Hoje, com 53 anos, acreditava que ele tivesse voltado para sua cidade natal na Croácia, Osijek, e morrido. Após certificar-se de que o mensageiro era na verdade um primo, Drazen Anicic, ela iniciou uma busca por informações sobre o paradeiro do pai, que completaria 83 anos agora em 2003. Chegou a descobrir um endereço em Rio Doce, Olinda, e enviar uma carta. Mas o envelope retornou com a informação de que o destinatário não havia sido encontrado.

  Drazen estudava a árvore genealógica da família quando encontrou o e-mail de Carmen, que é uma reconhecida pintora, e enviou a mensagem. "Não quis acreditar quando vi, mas acabamos nos comunicando. Estou fazendo de tudo paraencontrá-lo", comentou. Drazen, que também é de Osijek, nunca conheceu Frank, mas tem uma prima, Ines Kurtzweil, que trocou correspondência com ele por trinta anos. O último contato foi em 1998.

  A mãe de Carmen, Nora Gabriel, evitava falar sobre Frank e apenas aos 27 anos ela descobriu que o pai pintava. "Descobri o talento para a pintura durante uma terapia. Resolvi pressionar minha mãe e ela acabou falando. Hoje pintar é a minha vida", destacou.

  Foi através de Ines que Carmen conseguiu mais informações. "Ela tem tudo arquivado e enviou cópias de jornais da época. Descobri que ele era um famoso retratista". Em meados da década de 80, foram publicadas na coluna de João Alberto, no DIARIO, algumas fotos do trabalho de Frank. Retratos de personalidades da sociedade, como Mariuza Azevedo, Jutta Lundgren e Gustavo Krause.

  Com os dados, Carmen ligou para o auxílio a lista telefônica e encontrou o número de Jutta. "Soube que ela havia se mudado para a Alemanha e como minha exposição estava indo a Berlim, entrei em contato e a conheci", contou. Ela também viu o quadro que seu pai pintou. "Foi tudo maravilhoso, filmei o quadro e a nossa conversa para utilizar no documentário que farei sobre seu trabalho".

  Jutta disse a Carmen que o jornalista Antônio Azevedo, que mora no Recife, poderia ajudar pois eles eram amigos. Falando com Azevedo, soube que Frank casou-se novamente, com Olga Portela, e que a última vez que eles se falaram foi em 2000. "Ele estava com problemas financeiros e tinha sofrido um derrame. Mas continuava pintando, mesmo com uma mão".

  Carmen pretende vir ao Brasil gravar o documentário, mas afirma que tudo depende do que irá acontecer. "De acordo com as notícias, posso dar uma escapada. Está tudo tão irreal, é inacreditável. Tenho até medo de pensar que possa ser realidade", disse.


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