Edição de Domingo, 28 de Setembro de 2003
 
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Política

Sarney, o político de sete fôlegos

SENADO

Denise Rothenburg e Rufolfo Lago
Da equipe do Correio

BRASÍLIA - A senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) ficou só na vontade. Viu a relatoria do projeto que cria o programa Primeiro Emprego, que desejava, nas mãos da senadora Roseana Sarney (PFL-MA). Na Radiobrás, um princípio de crise chegou mesmo a gerar pedidos de afastamento de alguns diretores. Mas, as demissões de jornalistas maranhenses acabaram revertidas. São dois exemplos recentes de como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), exerce seu poder. Discreto, de raríssimas palavras públicas e muita atuação nos bastidores, Sarney vai construindo o caminho que o torna hoje o mais poderoso aliado do presidente Lula fora do PT.

  É uma posição surpreendente para quem, há pouco mais de um ano, estava à beira da aposentadoria. Rápido, enxergou as chances eleitorais de Lula. Rápido, aderiu ao PT. Rápido, derrotou aquele que julgava responsável pelas denúncias que arrasaram Roseana, o candidato do PSDB, José Serra. Rápido, voltava a ser um dos mais importantes políticos do País. Rápido, o cabelo que já admitia um pouco grisalho, voltou a tingir-se de preto.

  Hoje, o presidente Lula sabe que o futuro das reformas previdenciária e tributária no Senado estará nas mãos de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, de 73 anos. O sobrenome pelo qual é conhecido surgiu em conseqüência de um prosaico apelido de infância, desses típicos do Nordeste. O pai de José Ribamar chamava-se Sarney de Araújo Costa. Logo, ele começaria a ser chamado de Zé de Sarney.

  A trégua entre Lula e Sarney se transformou em aproximação de fato em 1992, quando a então deputada Roseana Sarney participava ativamente de reuniões com os petistas para tratar do impeachment de Collor, que terminou afastado. O fato de ter respondido ao xingamento de ladrão com afagos a Lula poderiam revelar um político generoso. O mesmo Sarney que perdoou Lula é capaz de esperar mais de dez anos pela oportunidade de uma vingança. O ex-deputado Luiz Salomão, do PDT do Rio, indicado para a direção da Agência Nacional de Petróleo (ANP), sentiu isso na pele. Terminou barrado pelo plenário do Senado.








 

 
 
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