Edição de Domingo, 28 de Setembro de 2003
 
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Guerra contra terrorismo afeta economia

Falta turista

Martin Crutsinger
Agência Estado

WASHINGTON - Depois de dois anos de guerra contra o terrorismo, a esperança de que a luta seria apenas uma pequena lombada no caminho da economia começa a se apagar. Empresários e consumidores enfrentam uma crescente lista de exigências relacionadas à segurança, o déficit federal está subindo às alturas em vista dos crescentes gastos militares e os americanos estão cada vez mais nervosos com relação ao futuro. Muitos analistas acreditam que a primeira década do Século XXI será o oposto da dos anos 1990. Naquela época, os EUA colhiam um grande "rendimento da paz", com grande quantidade de dinheiro sendo desviado do setor militar para o privado depois que a América ganhou a Guerra Fria. Esses investimentos ajudaram a promover uma expansão recorde de 10 anos e um grande aumento da produtividade a níveis não vistos em décadas.

  Mas agora, o Congresso debate o pedido do presidente George W. Bush de adicionais US$ 87 bilhões para a ocupação iraquiana, e crescentes gastos com a defesa e segurança interna trouxeram de volta a era de imensos déficits orçamentários. "Se você soma tudo isso, um peso significativo foi colocado sobre a economia", estimou Mark Zandi, economista-chefe do Economy.com. "Seguindo em frente, nós não iremos ver o tipo de investimento e aumento de produtividade que teríamos porque estamos destinando muito mais à defesa e à segurança interna".

  O crescente endividamento do governo - um total estimado de US$ 1,39 trilhão na próxima década - forçará um aumento da taxa de juros não apenas para consumidores tentando comprar novas casas e carros, mas também para o empresariado. Isto fará com que seja mais caro para as empresas conseguir o dinheiro necessário para se expandirem e modernizarem, o tipo de investimento que impulsiona a produtividade.

  Todo esse gasto do governo tem seus benefícios, especialmente no período atual, quando os efeitos prolongados da última recessão produzem uma grande sobra de capacidade instalada e de mão- de- obra.

DESEMPREGO - Zandi estima que o crescimento econômico seráde cerca de 0,7 ponto maior este ano devido aos gastos com defesa e segurança doméstica, despesa que subiu 36% desde 2000 e totalizará estimados US$ 627 bilhões este ano, depois do ajuste inflacionário. Mas a ênfase crescente na segurança também cria novos problemas para as empresas.

  No momento em que o mercado de trabalho sofre uma grande retração, com 2,7 milhões de postos perdidos nos últimos três anos, companhias americanas estão tendo problemas para conseguir visto para consumidores entrarem no país a fim de inspecionar pedidos, de aviões a máquinas operatrizes.

  Chip Storie, vice-presidente da Cincinnati Machine, disse que um dos principais clientes chineses da companhia está considerando trocar para um competidor japonês ou europeu porque ele gastou seis meses para conseguir um visto para viajar a Cincinnati e inspecionar uma compra de máquina-ferramenta de US$ 5 milhões.

  "Pedidos de visto que levavam dias para processar antes de 11 de setembro agora leva seis meses, ou mais", reclamou Storie numacomissão do Congresso americano.

  E não são apenas máquinas operatrizes. O turismo, já afetado duramente pelos atentados terroristas, está perdendo negócios para outros países porque estrangeiros têm de esperar tempo demais para receber um visto de turista.








 

 
 
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