Atividade de hacker se profissionaliza e encontra boas oportunidades no mercado de trabalho
Cleiton Fernandes
DA EQUIPE DO DIARIO
Eles não gostam de ser chamados de hackers do bem, mas possuem conhecimento técnico e detectam as fragilidades dos sistemas operacionais como se o fossem. Esses hackers, modernamente chamados de especialistas em segurança da informação, profissionalizaram-se e vêm conquistando postos de destaque no mercado de trabalho. O cenário tecnológico propicia o crescimento. Com a difusão crescente de transações eletrônicas, do e-commerce e dos homebanks, as empresas se viram obrigadas a investir na contratação e treinamento de pessoas capazes de detectar "brechas" operacionais e ameaças de segurança - hoje, essas pessoas são como os mocinhos numa filme. A idéia é desenvolver ferramentas e processos mais seguros que inibam o acesso de "curiosos" não-autorizados a arquivos e programas confidenciais.
De acordo com Zilta Marinho, diretora de educação da Módulo - empresa de consultoria e capacitação em segurança, esses profissionais tanto podem atuar como técnicos na área de administração de redes de segurança, como gestores. Mas qualquer uma das funções garantirá salários diferenciados no mercado. De acordo com pesquisa feita pela instituição, a remuneração média inicial varia de R$ 3,5 mil a R$ 7,5 mil. "Mas há muitos casos de gestores de segurança da informação que chegam a receber R$ 20 mil por mês quando trabalham para empresas que sempre precisam de inovação ou possuem maior complexidade de operacionalização", conta.
De fato. As oportunidades surgem a todos os momentos, especialmente nas empresas que lidam com mercado financeiro (bancos, financeiras), transações comerciais na internet ou sistemas de segurança interna (veja quadro ao lado). Outro segmento que também está receptivo é o de telecomunicações e tecnologia. "Assim como um hospital precisa de médico, qualquer empresa precisa desse profissional", conta a diretora da Módulo. Mas essa competência só é viável com a união dos dois profissionais envolvidos com a cadeia.
Ela explica que o técnico em segurança desenvolve a tecnologia, descobre as falhas e cria sistemas mais seguros. Ele é responsável por agregar valor à rede e impossibilitar futuras "invasões". O nível de especialização é muito grande, por isso o ideal é que o profissional tenha amplo domínio de rede em várias tecnologias diferentes - Windows, Unix, Linux e outros. Já o gestor tem que conhecer a cadeia de segurança completa, possuir a visão macro da instituição. "A proposta é que seja um profissional capaz de identificar as deficiências de segurança e apontar projetos que potencializem o uso das novas tecnologias".
Um mito que ainda persiste e muita gente acredita é que entre os pré-requisitos para se tornar um profissional da área é necessário ter vindo de uma formação superior em tecnologia. "Temos vários exemplos de pessoas que já lidavam com segurança da informação e apenas fizeram um curso de especialização e hoje estão bem colocadas no mercado", conta. Na área de gestão, os casos são mais abrangentes, atuando de pedagogos e psicólogos a médicos e profissionais de várias áreas de atuação. "Na prática, o mais importante é que o candidato a ser um "expert" em segurança faça cursos de pós-graduação e tenha total conhecimento das deficiências da cadeia da segurança da informação onde atue".
Outra preocupação do mercado é com relação à ética. O caráter é um quesito bastante analisado em um processo de seleção de um profissional de segurança da informação. Isso porque fica em suas mãos todas as informações da empresa e dos clientes. "Engana-se quem pensa que uma empresa contrataria alguém que tenha invadido seu sistema. Isso, só em filme", alerta Marinho. O que se busca é um profissional que tenha ética e saiba respeitar a confidencialidade das informações da empresa.