Grifes apostam no universo flúor com peças que chamam atenção até no escuro, sem medo do kitsch
Procurando uma tendência para orientar as compras do guarda-roupa verão 2004? Saiba que você não precisa seguir apenas uma, desde que todas as suas escolhas tenham um traço em comum: a extravagância. Ela é "o artigo da vez", aparecendo até na clássica Louis Vuitton - que agora está bem mais divertida e colorida com o monograma LV recriado pelo artista plástico japonês Takashi Murakami. Surge também nas tonalidades espalhafatosas que quase todas as grifes apostaram. E ainda têm as bijoux de várias voltas no pescoço e os brincos que fazem a orelha pender.
Seguindo essa linha do nada discreto, a designer de bijouterias Mary Figueiredo, da Mary Designer, abandonou um pouco o traço mais conhecido de suas criações, o minimalismo, para embarcar em tamanhos e composições meio over. "Uma parte pequena da coleção traz colares com vermelho, amarelo, azul, verde e pink. Todos juntos e com umas flores para uma composição meio kitsch, como bem pede o plástico e os cristais fake que voltaram à moda nesta estação", apontaa criadora.
Ela avisa que misturar tais badulaques a bolsas, sapatos e roupas tingidas de néon, por mais fashion que seja, não chega a ser sensato. "Portanto, se for investir no universo flúor, prefira itens mais limpos, como o prata com jeito espacial, em argolas e poás grandões, e os adereços com chifre, em desenhos que ocupam todo o colo e pescoço", completa Mary. Duas outras marcas mineiras, a Arezzo e a Vide Bula, parecem ter pesquisado tendências no mesmo caderno de estilo dela, porque a cartela cromática faz uma viagem ao lado mais absurdo dos anos 80, quando o new wave e a estética opulenta dos yuppies permitia tudo.
BLITZ - Na Vide Bula, a inspiração para criar a coleção foi uma viagem de carona pelos Estados Unidos de 1982, quando os colegiais americanos não economizavam em excessos. "A moda andava dramática demais, cheia de artigos punk, fetichista. Enfim, baixo-astral. Nessa época de crise econômica no mundo, os estilistas decidiram inverter tudo", filosofa o representante comercial da VB em Pernambuco, Dimitrio França. Nessa inversão de comportamento, que sugere o escapismo e uma felicidade inventada, abusar dos moletons néon, que chegam a doer no olho, é quase lei. "Ou das faixas refletivas e cintos de cadarço que imperou quando o conjunto Blitz e os filmes adolescentes explodiram aqui no país", contextualiza França.
Quem viveu essa época deve ter ficado com saudade do movimento que mandou embora - e chegou a conviver por um tempo - a onda negra e o pauperisme que os japoneses implantaram nas passarelas de Paris. O designer Caio Gobbi, que está chegando aos 30, passou pelo período de transição e o fez ressurgir no seu último desfile, na São Paulo Fashion Week. O ingresso de sua Pool Party (Festa na Piscina) eram agasalhos, camisetas de tela turquesa com pink e bolsas enormes em vinil. Até o ex-sombrio Alexandre Herchcovitch se joga no technicolor em sua última campanha.
Esse mesmo material foi utilizado pela criadora pernambucana Roberta Lepage, que tentou implantar os verdes e amarelos ácidos desde o verão passado. "Só agora, depois de apresentar bolsas e carteiras no desfile da Movimento, em São Paulo, percebo uma aceitação muito boa, porque esse é o momento certo. Na Europa, o extravagante aconteceu com força no inverno de dois anos atrás", comenta a designer. Tanto que a Arezzo antecipou-se, fazendo um investimento nas sapatilhas e scarpins prata, branco sujo e lima com lurex e metalizados no final de 2002, sem chegar a ser sucesso de vendas. Só no catálogo atual recebem destaque para convencer as compradoras que aparacer - até no escuro - está com tudo.
Tufi Duek, da Forum e Triton, procura não ser tão visionário assim ao apresentar novas formas e modelagem. Esperou muitos concorrentes arriscarem um revival do extra para mostrar suas mulheres com ombros poderosos (como fazia Thierry Mugler) e decotes com comprimentos mínimos (igual já fez Azzedine Alaïa) em vermelhos Pombagira, preto e branco. "Para as mais jovens, o que chama a atenção são os recados dos brincos SEX e das camisetas GET IN LINE (Vá pra fila)", finaliza a empresária Sídia Haiut.
Serviço
Roberta Lepage - 9967.0122
Vide Bula- (Hype)- 3325.5728 (Avesso)- 3423.9739 (Shopping Recife) - 3467.5707
Mary Design - www.marydesign.com.br
Caio Gobbi (Elementum) - 3463.4118
Forum - 3301.4124
Triton - 3301.3426