Fotografia
Aline Feitosa
ESPECIAL PARA O DIARIO
Aquela foto antiga dos seus bisavós, que com a ação do tempo está desaparecendo e sendo destruída pelo mofo, tem chances de ganhar nova vida. Computador? Quem falou neste recurso que, nos dias atuais, ganha a concorrência para qualquer outro tipo de restauração de imagem? Já que a foto é antiga, não precisa perder o teor de passado. Provavelmente, se seu bisavô fosse restaurá-la, procuraria o método que fez parte do seu tempo. As ampliações - fotografias que até o início da década de 80 eram renovadas à base de tinta e pincel -, ainda existem. No Centro do Recife, encontramos dois artistas que mantêm uma profissão que, antigamente, era glamourosa e prestigiada. Irmão, com seu ateliê no Pátio de São Pedro e Dão, na Rua da Imperatriz, são dois mestres que resistiram ao tempo.
Um tempo que passa rápido e deixa marcas cruéis. Irmão, ou José Camilo das Chagas, 63 anos, teve períodos em que recebia até 200 fotos por mês. "Era tanto trabalho, que nos ateliês tinha até divisão de funções", conta ele explicado que havia gente responsável apenas para pintar a roupa, outra para o retoque do rosto e outra para afinação (retirada de manchas). Atualmente, na sala de 3X3 metros quadrados onde trabalha, chegam, no máximo quatro clientes por semana. Em difícil situação financeira, Irmão lamenta ter seguido a profissão sem a consciência da sua importância enquanto artista. "Se pudesse largava tudo", diz com os olhos tristes. Mesmo desgastado, sem ânimo, ele diz que quando chega um cliente, trabalha a ampliação com carinho.
"Grande parte dos meus clientes vêm do interior", conta o restaurador, lembrado que na maioria das casas interioranas, principalmente as mais humildes, é comum ver trabalhos como o dele pendurados nas paredes. "As fotos ficam na sala, pra todos ver", diz. Talvez, se visto como um obra de arte, fotos restauradas, possam ocupar lugares em salas da cidade grande. "Quando conheci o trabalho de Irmão tive vontade de ter uma foto daquelas, que lembrasse o tempo da casa da minha vó em Goiana", diz a designer Rosa Galvão, que entregou ao artista fotos 3x4 dela e do marido. "Hoje tenho na parede do nosso quarto o quadro. Fica muito legal e faz parte da ambientação", sugere.
PROCESSO - O primeiro passo para fazer uma ampliação pintada à mão é reproduzir (em fotografia mesmo) a foto matriz. "Se estiver muito estragada, fica ruim de trabalhar. Mas, se os olhos, o nariz e a boca estiverem aparecendo, já dá pra fazer". explica Irmão. O negativo é ampliado em papel fotográfico e depois é só pintar. "Antigamente os papéis fotográficos eram de melhor qualidade. Agora só trabalhamos com N-3, da Kodak, que tem um preço mais acessível. Daí, só dá para pintar com anilina", conta, completando que antigamente era mais comum pintar com tinta óleo.
Serviço
Ateliê do Irmão
Rua Felipe Camarão, 55, sala 11, Pátio de São Pedro.
Ateliê do Dão
Rua da Imperatriz, 202, Boa Vista (próximo à loja Pepita de Ouro)
Preços médios das ampliações (com moldura)
R$ 30,00 - 18X24 cm / R$ 40,00 - 24X30 cm /R$ 50,00 - 30X40