Pedaço de terra no estado do Pará é cercado de magia
Dulcevânia Freitas
Especial para o DIARIO
Na Ilha de Marajó, no Pará,a natureza é o grande atrativo. Mas ela não é tudo. Há também o toque mágico dos descendentes de índios , da simpatia cabocla e dos vaqueiros, que domam cavalos e búfalos à base de coragem, sem perder o humor. Revoadas de guarás rasgam o céu, manadas cortam as águas. O riso fácil das crianças enche o ar. Na maior parte das vezes, quem faz pouco de Marajó apaixona-se por esse chão cercado de água, recheado de verde.
Ser o maior município da ilha não é a única razão para Soure reivindicar o título de "Capital do Marajó", disputadíssimo com a "irmã" Salvaterra. Visto de cima, Soure parece um tabuleiro, exatamente como desenhou em prancheta o urbanista Aarão Reis, o mesmo que projetou Belo Horizonte (MG). Possui praias e fazendas adaptadas ao turismo rural.
Soure fica bem na costa oriental da ilha, onde estão algumas das mais belas praias de toda a região. O clima predominante é o quente úmido, com chuvas abundantes no período de dezembro a março, e verão forte entre os meses de agosto e novembro. Soure fica a 87 km de Belém em linha reta, e tem uma população estimada em 19.957 habitantes.
O artesanato marajoara também é atrativo em Soure. O Curtume Marajó, um dos mais antigos da cidade, é onde se processa o couro do búfalo e boi. Estão à venda sandálias marajoaras, bolsas, cintos e as tradicionais celas do Marajó. A pecuária é a atividade econômica mais importante de Soure e o búfalo, um dos grandes símbolos do município. É comum encontrá-lo nos quintais e ruas, sendo utilizados como meios de transporte. A carne do bicho contribui para uma culinária peculiar no Marajó, cujas vedetes são o búfalo coberto com queijo de leite búfala - que também originou o "Queijo do Marajó" - e o "frito do vaqueiro" (pequenos cubos da carne do animal misturados à farinha).
Embora não possua terminal rodoviário, Soure dispõe de serviços de táxi, moto-táxi e vans. O acesso, a partir de Salvaterra, é pela PA 154, a Transmarajoara, seguindo até o porto da Balsa, onde se faz a travessia de cinco minutos para Soure. Esta rodovia estadual corta o município, permitindo a integração intermunicipal no arquipélago. O transporte fluvial é muito usado em Soure, dando acesso a outros municípios do Marajó pelas vias navegáveis.
IRMÃ - Menor município do Marajó, com apenas 2% da área total, Salvaterra é entrada do roteiro turístico da ilha. Além de florestas pouco densas, campos inundáveis, cerrados e praias, o município é guardião de um fato histórico: estudiosos sustentam que o navegador espanhol Vicente Yanez Pizón aportou em Salvaterra em 1498, dois anos antes da chegada dos portugueses à costa da Bahia. Ao tentar escapar do fenômeno da pororoca quando navegava o rio Amazonas, Pizón buscou refúgio em uma ilha desconhecida (hoje, a Ilha de Marajó) e batizou o local de Ilha Grande de Joannes. Também é atribuída aos espanhóis a construção da igreja de São Francisco, provavelmente antes de 1867.
Distante 80 quilômetros de Belém, Salvaterra já serviu para agrupar aldeias que tentavam se defender de invasores. As principais tribos foram os Sacacas, os Aruans, os Caias, os Nheengaíbas e os Araris. Os jesuítas também es tiveram no município. Foram eles que, no século XVII, ergueram a primeira igreja de Salvaterra, na vila de Joanes. O que restou da igreja são as "Ruínas de Pedra", hoje uma das atrações turísticas do município. Ao lado das ruínas, está a igreja de Nossa Senhora do Rosário, que possui uma imagem da santa de 1,5 metro de altura, toda esculpida em madeira.
O município ocupa uma área de 804 quilômetros quadrados, onde moram em torno de 15 mil pessoas. O clima é tropical úmido, com chuvas e ventos regulares, a uma temperatura média anual de 30 graus. Condições favoráveis para a praia Grande, localizada a 500 metros do centro da cidade, banhada pelas águas da baía de Marajó, mas que recebe influência do Atlântico. Isso explica porque, no primeiro semestre suas águas são doces, e no segundo, salgadas e quase cristalinas. Outro destaque é a praia de Joanes, na vila homônima localizada a 15 quilômetros de Salvaterra.
As atividades econômicas mais expressivas são a pecuária (bovino e bubalino). A carne de búfalo e o leite (e seus derivados) são "ouro". Na agricultura, o abacaxi, cultivado na vila de Condeixa, está na lista dos mais saborosos do País.