Ex-integrantes da categoria têm emprego em ônibus
Renata Beltrão
Da equipe do DIARIO
Em meio ao desespero causado entre os kombeiros pela regulamentação do transporte alternativo, pelo menos 174 integrantes - ou melhor, ex-integrantes - da categoria já têm motivos para sorrir. São os contratados pelas empresas de transporte para assumir postos como cobradores e motoristas de ônibus, que conseguiram se empregar com uma boa dose de sorte. A mudança é bem vista por eles, mas ainda atinge um número pequeno do total dos 5.675 cadastrados voluntariamente pela Agência do Trabalho. A meta é chegar aos mil kombeiros empregados no sistema até meados de 2004, garante a secretária de Desenvolvimento Urbano e Projetos Especiais do Estado, Terezinha Nunes.
Agora que estão do outro lado do volante, alguns admitem que os motoristas de ônibus tinham razão em reclamar das barbeiragens que eles mesmos já praticaram. O cobrador Antônio Luiz Ferreira da Silva está há um mês trabalhado em um coletivo, na mesma função que por 14 anos exerceu numa Kombi. Desta vez, entretanto, pôde dispensar os malabarismos que antes utilizava para chamar os passageiros. "Isso foi o que eu mais estranhei. Agora, tanto faz ter ou não gente no ônibus, que o serviço está feito e o salário garantido". A remuneração que Antônio conseguia é a mesma nos dois modais (cerca de R$ 400,00), com as diferenças de que agora ele trabalha menos e pela primeira vez na vida teve a carteira de trabalho assinada.
FUNÇÃO - Geraldo Soares dos Santos também considerou um avanço entrar no sistema oficial de transporte como motorista. Dirige metade do tempo e ganha o dobro, e diz que tirou de letra a diferença de tamanho entre o ônibus e a Sprinter que antes dirigia. "Por mim, me aposentava nesse serviço", disse. Cleidson Marcos Lopes, novo companheiro no terminal de Maranguape I e na empresa Cidade Alta, também passou para os coletivos, mas com função diferente: era motorista de alternativo e agora virou cobrador de ônibus. "Eu já conversei com a psicóloga e pretendo me candidatar a motorista depois de treinar na escolinha da empresa", diz com otimismo.
Nem todos, entretanto, conseguiram se adaptar. O motorista Arlindo Severo Nunes até já guiou ônibus, mas só conseguiu no sistema uma vaga como cobrador. "Meu negócio é dirigir, não fazer conta. Aí fiquei só 15 dias no emprego e voltei pra minha Kombi". A secretária Terezinha Nunes explicou que há um acordo com as empresas de ônibus em que elas se comprometem a treinar profissionais nesta situação, para que num prazo máximo de seis meses eles possam ser promovidos ao posto de motorista.
Os 174 contratados foram contemplados em dois sorteios de 200 nomes entre os cadastrados. "O índice de aproveitamento foi baixo, porque muitos não tinham o perfil adequado para o cargo. No último sorteio de 400 nomes já houve uma pré-seleção, e esperamos um número maior de contratados", disse a secretária. O convênio com as empresas, no entanto, não vai resolver completamente o problema do desemprego causado pela regulamentação do transporte alternativo. Supondo que a meta das mil vagas seja alcançada, pelo menos 4,6 mil outros cadastrados vão ficar sem emprego. Para estes, a saída seria tentar trabalho em outro setor de produção ou partir para o microcrédito na própria Agência, para iniciar pequenos negócios.