A Delegacia de Polícia Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras (DPMAF) da Polícia Federal é responsável pela investigação de crimes envolvendo tráfico de seres humanos. Em Pernambuco, pelo menos três inquéritos estão tramitando com denúncias de envio de mulheres ao exterior com a finalidade de exploração sexual.
Os casos são tratados de forma sigilosa, com o objetivo de identificar a rede de agenciadores que atua como fornecedores para prostíbulos na Europa. De acordo com uma pesquisa coordenada em 2002 pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes (Cecria), o tráfico para fins sexuais é, predominantemente, de mulheres e garotas negras e morenas, com idade entre 15 e 27 anos.
As mulheres são abordadas em áreas de entretenimento (shoppings centers, boates e praia) ou convocadas por agências de emprego ou de casamento. Elas não precisam gastar nada com as despesas da viagem, mas quando chegam ao local de destino descobrem que terão que pagar a passagem aérea e a hospedagem coma venda do corpo. Dentre as formas de inserção nas redes de tráfico, o casamento é a que envolve a maior dificuldade de caracterização. No caso da pernambucana que foi vendida para o italiano, o caso na Alemanha foi arquivado porque não foram encontrados vestígios de sêmen que caracterizassem o abuso sexual. "A maioria das vítimas vem de áreas onde as políticas públicas falharam e não sabem como pressionar as autoridades", afirma o coordenador do Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Seres Humanos, Ricardo Rodrigues. A pernambucana que fez a denúncia é uma exceção.