Memória
Era 1h20 da madrugada quando uma explosão na casa de
máquinas causou um incêndio no navio Jatobá, que estava carregado de
1.5 toneladas de gás. A embarcação estava atracada no armazém 1 do Porto
do Recife, a 100 metros do parque de tancagem da cidade. As labaredas
chegavam a 20 metros de altura. A proximidade com o tanque disseminou
perigo num raio de 5 quilômetros no Centro e causou pânico nos bairros
do Recife Velho, Boa Vista, Santo Antônio, Pina e Brasília Teimosa.
A data era 12 de maio de 1985.
O então governador, Roberto Magalhães, evacuou o Palácio das Princesas
e foi para o Quartel da Polícia Militar de Pernambuco, no Derby. Lá,
ele divulgou uma nota oficial, orientando a população a sair do bairro
do Recife e adjacências. O prático Nelcy da Silva Campos, de 53 anos,
foi chamado em casa pelos agentes de Companhias de Navegação apenas
20 minutos depois da explosão.
A bordo do rebocador Saveiro, Campos, mestre Arlindo Rodrigues e mais
quatro marinheiros cortaram as amarras do navio e utilizando umcabo
de 400 metros o rebocaram, ainda em chamas, a uma distância de quatro
milhas da costa.
Após a operação, quando o perigo já estava afastado, o governador
divulgou uma segunda nota, revogando a recomendação. No agradecimento
ao prático, ele classificou o ato como uma "demonstração de extrema
coragem". Na época, Campos disse: "nunca me vi em uma situação tão difícil
e perigosa, mas pensei logo na população. Mesmo sabendo que podia morrer,
parti para a operação".
O acidente não deixou vítimas pois os 21 tripulantes estavam fora,
deixando apenas as paredes dos armazéns do porto parcialmente destruídas.
Comentários dos Leitores
"São pessoas assim que enchem de orgulho Pernambuco.
Parabéns Nelcy e familiares. Irresponsáveis são os que deixaram a população
correr esse risco. Onde já se viu tamanha negligência?", Candido,
por e-mail.