Edição de Domingo, 21 de Setembro de 2003
 
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História do prático que evitou uma tragédia

Nelcy Campos ganha homenagem e busto no Marco Zero

Júlia Kacowicz
Especial para o DIARIO

A coragem do pernambucano Nelcy da Silva Campos, que foi prático do Porto do Recife, será lembrada nas comemorações do Dia Marítimo Mundial, celebrado na próxima sexta-feira. O homenageado foi considerado um herói por evitar que uma explosão atingisse um raio de cinco quilometros do cais ao rebocar o navio Jatobá em chamas para longe do litoral, em 1985. Com o objetivo de eternizar esse feito, a Marinha do Brasil irá instalar um busto de Campos no Marco Zero, no dia 29. Uma exposição sobre o acontecido e a vida do prático, que era encarregado de rebocar os navios, também fazem parte da programação.

  A inauguração do busto, que acontece às 16h, contará com uma cerimônia militar. Feito em mármore, a peça conta com uma placa de metal fixada na base, onde o feito de Nelcy é relatado. Esculpido por Demócrito Albuquerque, mesmo autor do Monumento Tortura Nunca Mais, a obra terá cerca de dois metros de altura. A homenagem foi idealizada pelo vice-almirante do 3º Distrito Naval, Afonso Barbosa, com a finalidade de resgatar a história.

  Para a viúva de Campos, Luiza, a homenagem chega em boa hora. "É mais do que merecido, mas, apesar da demora, estou feliz e satisfeita". Luiza, no dia do incêndio do Jatobá, foi ao cais com os quatro filhos esperar que o marido voltasse do mar. "Fiquei apreensiva; é uma emoção lembrar de tudo". O primogênito, Nelcy Campos Filho, acredita que a história de Pernambuco também sai ganhando. "O ato dele preservou a história. É importante que todos conheçam o fato, que estava adormecido". Nelcy Campos continuou trabalhando no porto após o acidente e morreu cinco anos depois, no dia 27 de setembro.

  O projeto é coordenado pelo capitão de fragata José Bueno e gerenciado pela tenente Andréa Delduque. "A data é lembrada com uma celebração militar. Agora aproveitamos para que todos saibam que o Recife Antigo existe do jeito que é porque um pernambucano fez isso acontecer", disse a tenente.


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